Caixas pretas
Há o conhecimento da contabilidade das pedagiadas, quanto ganham além da tarifa e nas empreitadas intermediárias como a da duplicação em Campo Largo? Não. No entanto, assim mesmo há uma unanimidade entre as entidades conservadoras favorável à prorrogação dos contratos e com uma possível e anunciada baixa dos custos. Inexiste um acompanhamento republicano dessa questão, o que não impede esse juízo precário.
O sistema implantado desde Lerner até hoje é carregado de anomalias como, por exemplo, a concessão irregular, sem licitação, da rodovia 476, a do Xisto, no trecho entre Araucária e Lapa. Agora, o governo estadual tenta manter sob sua tutela as vias federais em ampla negociação. E informação sobre o que rende e o que falha no pedágio não aparece, um desses mistérios comuns em administração pública, alvo por duas vezes de inócuas CPIs.
Pois agora, surpreendentemente, em linha diametralmente oposta, o prefeito Gustavo Fruet da capital obteve na Justiça a obrigatoriedade do Instituto Curitiba de Informática fornecer dados que só admitira fazê-lo em regime de confidencialidade, ainda que se trate de matéria de interesse público que a empresa explora por uma concessão de Cassio Taniguchi e que leva todo jeito de uma capitania donatária como tantas outras como o serviço de aluguel de veículos, o sistema de transporte coletivo. Para chegar a isso, a prefeitura criou uma secretaria com a incumbência de ter acesso a esses dados e, só depois de obter alguns fundamentos, pôde afinal ir à Justiça para dominar o segredo de Estado curiosamente em mãos privadas.
Certas concessões se tornam eternas, permanentes, como tenho dito. Quem iria, por exemplo, disputar com as empresas dominantes no aluguel de veículos uma licitação com a ampla ocupação do mercado com frota, garagens e oficinas de reparos? É o que se dá nas demais permissões como a do transporte coletivo e tantas outras.
Espera-se que o caso do ICI renda uma nova etapa nessa linha comportamental e que se estenda a outras áreas.

Avanço
Há quem ache avanço, há quem entenda o contrário, mas a Universidade Federal vai aceitar o ''nome social'' de travestis nos vestibas. Para manter o cenário ligado, teremos hoje, na Praça 19 de Dezembro, mais uma expressão da nova liberdade na Marcha das Vadias. Para uma sociedade que escondeu durante anos as estátuas do homem nu e da mulher símbolo da Justiça nos jardins do Palácio Iguaçu, é avanço inegável. O jornalista Paulo Lepka imaginou, num Dia dos Namorados, o povo carregando as duas estátuas do Palácio até a praça, uma revolução poética de alegorias.

Mutirão
Em Piraquara, magistrados fazem de ontem até amanhã um mutirão carcerário destinado a reduzir a superlotação dos presídios. Indispensável por todos os motivos maior frequência desse tipo de procedimento.
Em todos os cárceres há casos de sentenças já cumpridas, isso sem falar nas falhas burocráticas. O acompanhamento permanente disso deveria ser rotina, inclusive com a ação da Defensoria Pública.

Melar
Agora advogados dos acusados da Lava Jato se apegam na escuta colocada no compartimento de Youssef como remota hipótese de melar o processo. E ontem o juiz Sérgio Moro era o destaque de um conclave de jornalismo investigativo.
A opinião pública tem um peso forte no julgamento desse caso do petrolão.

Folclore
Seria de fato um absurdo se, em meio às investigações da Lava Jato, não se descobrisse a fieira de chunchos na Receita Estadual, uma espécie de simetria entre justiças de plano diferente, a local e a federal.

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