LUIZ GERALDO MAZZA
Sibaritismo contido
O Estado quebrou como se sabe, o que não impede o atual governador de querer, graças ao servilismo de sua base parlamentar, ter um raio de manobra de 20% das verbas orçamentárias para 2016 ao contrário da redução aposta na Comissão de Finanças em 7%. Quem se ajoelha no camburão é capaz de tudo, doação demais, renúncia extrema, para atender caprichos de um governador sem credibilidade (mais de 84% do eleitorado o rejeita), desmascarado pelos fatos, inclusive a certificação do seu secretário Mauro Costa, da Fazenda, de péssimo gestor no primeiro mandato, conforme colocou muito bem em sua abrangente análise .
É fácil imaginar que a penitência do ajuste fiscal será curta como se viu anteontem na partilha de ambulâncias com deputados da base aliada que como detentores do mando político as transferirão às prefeituras. Na amainada, já nos primeiros momentos, se recriará facilmente o clima de lua de mel bem ao estilo dos sibaritas, como se viu ao longo dos primeiros quatro anos. Uma requintada expressão de hedonismo traduzida no abismo das contas públicas.
Esperava-se que a atmosfera imposta pela recessão conduzisse esse pessoal à sobriedade, mas esse hiato das ambulâncias deixou claro que não vai ocorrer. A livre manipulação das verbas orçamentárias virá como já tivemos o Caixa Único e o acesso aos depósitos judiciais e mais recentemente o assalto aos fundos da Paranaprevidência. Se com tudo o que foi feito faltou austeridade que nos levou ao fundo do poço, dá para perceber o que se dará assim que vierem os primeiros sinais de recuperação fiscal.
É o que se pode denominar de síndrome de sibaritismo contido e que aflorará, como se estivesse a recriar a Roma clássica, a qualquer momento. Resta esperar que o Ministério Público, que afinal enquadrou o governo pela supressão do direito de reunião com o carimbo da improbidade, avalie também esses próximos transbordamentos com o orçamento.
Ônibus vitalício
A maneira como o prefeito Gustavo Fruet reage a qualquer mexida em cláusula contratual das concessões (ou permissões) considerando-a acima de qualquer questão deixa claro que o entende como vitalício. Aliás essa questão permanece nos contratos de transportes tanto intermunicipais como interestaduais, é uma condicionante ''jurisprudencial'' haja vista para o fato de criar os maiores óbices a licitações. No espaço urbano ela pesa, por exemplo, na questão das garagens, das centrais de compras e sobretudo das frotas agregadas ao patrimônio das empresas. Que licitante enfrentaria tais handicaps?
O caso da reação imaginada pelos trabalhadores (motoristas e cobradores) quanto à supressão, mais do que necessária, do tal fundo social (que capta 3% do total das folhas do pagamento e que integra a planilha tarifária) veio com toda a força sob a alegação, embora apenas o Sindimoc tenha o controle desse recurso público, de que impediria a prestação de serviço hospitalar e também de assistência médica aos trabalhadores.
Nunca foi tão necessária a análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre o pleito em torno da existência de um cartel no sistema. Dois cartéis, o dos empregados e o dos patrões. A sonsa é a prefeitura que tudo avaliza com o realismo de um Sancho Pança, mas posando de Don Quixote.
Ataque
Depois de semanas de calma, eis que voltam a explodir caixas eletrônicos: ontem o da prefeitura de Almirante Tamandaré, dias atrás numa empresa da Cidade Industrial.
Sem delação
Embora a prisão também do regra três da área internacional da Petrobras, advogados de Cerveró dizem que ele não negocia delação. Novidade na área apenas no pedido de habeas corpus de Zé Dirceu no Tribunal da 4ª Região.





