LUIZ GERALDO MAZZA
Ociosidade pertinente
Como levar a sério pesquisas sobre intenções de votos para o governo estadual a essa altura dos acontecimentos, especialmente, levando em conta que o maior eleitor paranaense, Beto Richa, depois de moer seus adversários por margem nunca vista entra em processo de decomposição do seu prestígio com quase 85% lhe negando créditos. Óbvio que esse vazio levantaria as possibilidades dos que lhe fizeram ou fazem oposição, como se dá com Roberto Requião de uma forma direta ou discreta de Alvaro Dias que o PSDB e seus cardeais tiveram que engolir, pois até o Valdir Rossoni, surfando supostos feitos na Assembleia, tentou se insinuar como postulante. Vejam por aí a riqueza de quadros do tucanato e a ausência de visão de processo de Beto Richa por não ter percebido na eleição senatorial anterior que Gustavo Fruet detinha mais condições do que Ricardo Barros para vencer Requião e tirá-lo do cenário político, ao menos temporariamente. Por uma dessas vias oblíquas, quem turbina o senador é justamente o governador até por não ter sabido mostrar o quanto ajudou a quebrar o Paraná.
A pesquisa é, portanto, uma ociosidade absoluta por ausência de hipóteses com um mínimo de consistência, isso sem falar na imensa distância do cronograma em cenário extremamente mutante. Uma disputa entre Alvaro e Requião é bem a falta de perspectivas de um Estado tão oligárquico quanto os do Nordeste que tanto usam como caricatura. De 1983 para cá tivemos as famílias Richa (José e Beto), Dias (Alvaro e Osmar competindo), Requião e Lerner. Somos ou não um feudo?
TC x Urbs
Gustavo Fruet quis se valer das advertências do Tribunal de Contas sobre o transporte coletivo e promover-se e levou a pior. A Corte contesta a versão que a Urbs vem dando ao episódio e insistiu num ponto em que se evitou dar destaque: a necessidade de uma nova licitação porque a feita por Beto Richa como prefeito e sob a orientação do procurador Ivan Bonilha, hoje coincidentemente quem preside a instituição de contas, é eivada de anomalias. Está ficando divertido o jogo de pessoas ensaboadas, uma opereta para ver quem pega o sabonete. As pessoas acabam esquecendo no time em que jogam.
Oposição
Correta a postura da oposição em tentar com emenda a concessão dos 8,17% aos funcionários legislativos já obtida pelo Judiciário, Procuradoria da Justiça e Tribunal de Contas. Há coerência no fato de estar reprisando os valores que pretendeu para o funcionalismo em geral. De qualquer forma, há deslealdade em relação ao governador, o maior interessado no ajuste fiscal, por parte dos outros poderes que poderia pela persuasão convocá-los à cooperação e não alhear-se da questão como acabou fazendo.
Antigo
Luiz Abi, a eminência parda, apontada como operador da gangue fiscal, já frequentava o gabinete do parante distante desde quando vice-prefeito da capital. Uma cena burlesca se deu quando, no primeiro mandato de governador, ele apareceu em reunião e houve o empenho oficial em reproduzir a cena com o personagem devidamente ''retirado'', retoque de fotografia. Cada retificação torna tudo suspeito. E repetida agora, mais recentemente no caso do hotel Bourbon, onde Luiz Abi faz a reserva para Mauro Costa que iria assumir justamente a Fazenda, a área em que ele é acusado de operar malfeitos. Afinal, o que pretendia com essa aproximação?
Oxigênio
A reação da Comissão de Finanças contra a pretensão de Beto Richa de remanejar 20% das receitas é sinal de vida, mas não suficiente para conter a compulsão pantagruélica do governo que, apesar de pisar em areia movediça, tentará outras formas de obtê-la. Imaginem se estivesse com Ibope alto.





