LUIZ GERALDO MAZZA
Novidade demorada
Está momentaneamente rompido o sistema de cordialidade intrapoderes que sempre se constituiu no fator máximo de acomodação dos vasos comunicantes: a partir do momento em que o Ministério Público decidiu agir em cima do massacre do Centro Cívico ao cobrar responsabilidades de Beto Richa, seu ex-secretário de Segurança Fernando Francischini, mais os comandantes militares da operação, o mundo veio abaixo. Como é que pode uma coisa dessas quando a tradição é em sentido oposto? Aconteceu porque um dia tinha que acontecer como fato natural e contemporâneo: se a presidente e Lula estão aí colocados, em função da Lava Jato, como possíveis alvos por que não o Beto Richa já com um apreciável acervo de atos sob suspeição e mais esse da brutalidade?
O chio do presidente da Assembleia, Ademar Traiano, é de espanto e discute o tamanho das punições e não o da guerra do Centro Cívico. Há muitos dos que penaram com balas de borracha e bombas de gás que acham insuficiente: pretendem eles próprios entrar com medida judicial para responsabilizar o governo.
Houve o massacre, a desproporção evidente entre o nível dos sindicalistas e a da mobilização militar. Como normalmente na tradição autoritária da praça essa questão se tira ''de letra'', há toda essa zoada de quem está por fora do nosso tempo, do contemporâneo.
Demorou, mas aconteceu. De repente, viramos, de vez, uma república.
Mais
Certamente, o aumento da água não faz parte da agenda positiva de Beto Richa imaginada pelos gerenciadores de crise que vão custar os tubos ao erário. Não se sabe de quanto será porque o Instituto das Águas não se manifestou. Sabe-se que ela decorre do reajuste da energia elétrica, também monopólio estatal desse governo criativo.
Publicano 2
A Publicano 2 enquadrou ontem, em entrevista coletiva, mais 125 envolvidos nas tramas fiscais que se juntam assim aos 73 da primeira etapa. Nunca na história político-administrativa do Paraná tivemos sequência de assuntos tão chocantes, uma verdadeira siderurgia do chuncho.
Outra nova
A tolerância com a Urbs sempre foi enorme, pois agora o Tribunal de Contas nessa avaliação da auditagem sobre o sistema de transporte tascou-lhe penas nos ex-chefes Marcos Isfer e Fernando Ghignone: multas não contundentes de R$ 1.400, mas com esse tom de novidade. Dá impressão que há mudança séria de costumes. Será?
Sondagem
De uma coisa o governo pode se orgulhar: o Ibope de Beto Richa ainda é bem mais razoável, aqui no Paraná, do que o da presidente Dilma Rousseff. Área da educação severamente criticada na sondagem. Aliás, em que pese o possível apoio da população às demandas do magistério, seu desempenho é ruim no Enem. Na entrada das Mercês, o Colégio Estadual Guido Straube, que ficou fechado o tempo todo da greve, tem alta moral para isso: no Enem de 2014 cresceu 18 pontos, meta estabelecida para 2019. Uma faixa assinala o feito comunitário.
Quanto colégios estariam em condições de celebração como essa?
Aluguel social
Não há como atender todos os enquadráveis no tal aluguel social e por isso ele se fará, como também nas Cohabs na fila da moradia, de forma seletiva. Cria-se uma expectativa na qual, como no fim dos tempos ou no vestiba, muitos serão chamados e poucos os escolhidos. É a velha empulhação de confundir a árvore com a floresta: alguns se ajeitam, a maioria não.
O pior é que não se analisa isso porque os assistencialistas dobram até o prefeito que se imobiliza nessas situações, sabendo que não tem como pagar mais esse tipo de concessão: um salário mínimo por família. Desse jeito estamos construindo o Estado-albergue.
Folclore
Olhou os números da pesquisa de Beto e Dilma e asseverou: isso pega, contamina, com bem mais força do que a gripe.





