LUIZ GERALDO MAZZA
Trapalhões em cena
Renato Aragão poderia processar o governo Beto Richa porque, a despeito de tudo que há de absurdo e cômico nesse país, raramente se capta um caso de plágio tão eloquente com o que ocorre sob a direção do Palácio Iguaçu e a linha de scripts dos Trapalhões da Rede Globo. E fica mais engraçado porque o maior prejudicado com tudo isso é uma figura que aparenta inocência e distância entre ele e os fatos ocorridos.
E tão frequentes as referências à presença de parentes remotos e amigos bem próximos em intervenções, no mínimo, indevidas e sempre desastradas que a sociedade fica à espera de que ao menos uma denúncia não se confirme. O aliado das experiências automotivas está envolvido até o pescoço nas ações do Gaeco na Receita Estadual, um outro companheiro de tênis é citado no caso das obras pagas sem estarem conclusas. E de repente pingam novas referências e isso, mesmo que seja um exagero ou possível desvio da mídia, é assimilado pela maioria como verdadeiro.
Os Trapalhões já não montam as sagas como antes: Renato Aragão é agora uma referência do ''Criança Esperança'', como embaixador do Unicef, e eles vivem apenas em vídeos históricos, mas aqui no Paraná e no governo constituem uma realidade indesejada mas firme na construção de situações anômalas, engraçadas ou tragicamente patéticas.
Até em situações confusas como essa da estada do secretário Mauro Ricardo Costa e uma referência, veementemente contestada pelo Hotel Bourbon, de pagamento intermediado de diárias pelo inefável Luiz Abi Antoun, sujeito dotado do poder, a um só tempo, da ubiquidade, em vários lugares ao mesmo tempo e também da ambiguidade como quando acaba sumindo de cena como uma espécie de perfume sem fixador da mesma forma que entra e sai da prisão, porém permanece nítido nas imagens de televisão.
Punido
O Ministério Público estadual decidiu processar o governo estadual, em especial Beto Richa e o então secretário Fernando Francischini, pelos episódios de abril no Centro Cívico, por improbidade administrativa. Raramente há um ato de defesa da sociedade com essa precisão fulminante. É evidente que esse tipo de processo se torna insuficiente para cobrar a recomposição jurídica da ordem violada nas mais de 200 vítimas da boçalidade fascista. Ações individuais dos massacrados darão continuidade aos procedimentos.
Evazia
Um dos argumentos de Dilma Rousseff contra uma insuficiência da universidade era o Pronatec que citava seguidamente e ele uma evidência de quanto se apequenou o governo: ano passado havia 4.800 vagas e agora apenas 470 em nossa capital, o espaço do sonho se estreitou.
Haja populismo
Um setor da esquerda brasileira anda preocupado com a tendência de predomínio de pensamento conservador, razão pela qual se estrutura em movimentos sociais para resistir à onda. Em Curitiba, essa linha - da austeridade - não chegou tanto que os vereadores aprovaram por unanimidade o ''aluguel social'' de barracos, rústicos, construções em áreas de risco em que a prefeitura entraria com o correspondente a um salário mínimo. Para os que se dizem progressistas e toleram ações de violência como as do MST e congêneres, isso seria pra frente como os assistenciais Bolsa Família. Não querem que exista um pensamento oposto e que mostre inocuidade desse populismo de baixa extração. Ao anunciar que em julho a prefeitura paga apenas 30% do 13º e não 50% dos seus funcionários como fazia por causa da crise, Fruet deve ter sinalizado que a prebenda é inviável, todavia os vereadores preferiram deitar e rolar. Mas o prefeito não tem pegada para o veto, embora o caráter inconstitucional da medida por criar despesas, o que está interdito ao Legislativo.
Folclore
O Bourbon, rede hoteleira paranaense, está sujeito a confusões como essa da estada do secretário Mauro Ricardo Costa, embora ela seja menos aguda do que aquela em Londrina quando Ciro Frare derrubou Roberto Requião no primeiro e único round. Não deu para abafar nem o áudio do tapa.





