LUIZ GERALDO MAZZA
Cortejamento primário
Nos planos de educação, tanto o estadual como o municipal, suprimiram da codificação o debate da questão de gênero com o que, em nome de uma suposta defesa da família, se tirou o caráter de projeto inclusivo. Isso num momento em que a Suprema Corte norte-americana afirma o casamento homossexual e bloqueia as legislações restritivas estaduais. No Brasil, na fase mais ativista do STF, houve por unanimidade decisão com esse sentido. Argumenta-se que se o entendimento se submetesse a um referendo enfrentaria dificuldades para aprovação.
Uma das deficiências brasileiras, disso que chamam de esquerda, ficou nítida, mais de uma vez, o seu oportunismo na hora em que se tentou discutir o aborto: tanto Serra e Aécio quanto Lula e Dilma, ambos aí enquadráveis, nas eleições presidenciais, amedrontados com os votos das bancadas religiosas, recuaram; abandonaram o tatami, deserção absoluta para evitar desgaste em algo que reclama, antes de tudo, racionalidade.
Quem acompanhou a história brasileira no debate do divórcio percebeu a gana de Nelson Carneiro em três décadas até emplacar o primeiro avanço dos direitos da companheira, hoje com legislação bem mais completa e mais tarde o fim do casamento indissolúvel. Quando a hermenêutica do Judiciário está bem à frente do entendimento do homem médio é um avanço, mas de qualquer forma uma assimetria de visões em instituições diferenciadas que pode ser traduzida num parlamento permeável a confessionalismos.
Fora
Cerca de 10% dos municípios paranaenses não providenciaram seu plano de educação e com isso sofrerão restrições em recursos.
Sem pedal
O atleta olímpico brasileiro de ciclismo, Ricardo da la Maria, teve sua bicicleta roubada em Curitiba.
Sem lance
O Volvo do doleiro, que seria leiloado ontem, não teve nenhum lance. Vai a um novo certame.
Mediação
Frutuosa a mediação entre Ministério Público e Prefeitura de Antonina: ficou assentado que o hospital ficará em nova sede, há três anos construída e sem uso. O chocante é que o município pobre pagava R$ 30 mil de aluguel pela instalação anterior.
Debate
A questão de professores terem, em Almirante Tamandaré, colocado em sala de aula, debate sobre a recente greve dos mestres, o choque com a polícia e suas consequências é apenas algo classificável como grosseiro na forma como se examinou a questão. A discussão em torno da liberdade de cátedra aflorou e também o fato de a sala de aula emitir juízos sobre a existência. Reação do oficialismo é compreensível porque essa ''indelicadeza'' poderia gerar outras incursões do gênero. Aliás, recentemente, o Ministério da Educação diligenciou uma análise da Direito Federal pelo abuso dos mestres em transformarem seus supostos feitos de resistência ao regime militar em tema dominante nas aulas. Aliás, se fôssemos (fui alcançado pelo Ato Institucional e afastado do serviço público e respondi um processo na Auditoria de Guerra) tantos quantos os que se dizem vitimados somos incompetentes porque em número ganharíamos das forças regulares (Exército, Marinha, Aeronáutica, policias estaduais) tantos são os mártires que hoje se habilitam.
Folclore
No calor das críticas que recebia por causa da greve professoral e ainda em função da Publicano, Beto Richa colocou muito mal a sensibilidade e o senso de percepção de dona Fernanda, sua esposa, apontada de ser incapaz de saber o que é um auditor. Essa depreciativa saída, ditada pelo nervosismo e pelos gritos de ''Fora, Beto'', pega muito mal quando parece nítido que a primeira-dama é uma política, engajada, atuante de primeira linha com mais energia que o marido.





