LUIZ GERALDO MAZZA
Luiz Abi, o impreciso
Tido pelo Gaeco, em várias diligências, como o coordenador das operações de fraude no fisco estadual, Luiz Abi Antun é, o que se pode dizer, um impreciso: não é funcionário público, mas foi praticamente nessa condição que ganhou um habeas corpus do STJ como se ostentasse a postura de ''assemelhado'' a tal e, por esse motivo, pudesse ser monitorado facilmente pela autoridade, o que de forma clara sabidamente não é. A outra operação que o apanhou com a oficina de reparos da frota oficial é mais um complicador. Tido como parente do governador, Beto Richa alega que a distância é enorme, algo como primo de sétimo grau. Sabe lá o que é isso?
Dos que entendem de bastidores afirmam tratar-se de alguém com liberdade de tráfego na intimidade do poder, o que é corroborado pela operação.
''Publicano'', segundo o testemunho de policiais e promotores. Tudo isso é prontamente contestado pelo governo. Da mesma forma como nega a existência da quadrilha de auditores que achacam empresários, embora a evidência desse fato na delação premiada e em indícios ratificadores.
Até aqui, apesar da liberação dos acusados, quem fica mal é o governo, bem prejudicado por sua baixa credibilidade. O Tribunal de Justiça, ao contrário da instância superior, tem recusado todos os pleitos de liberdade dos acusados reconhecendo a procedência técnica das acusações.
De imprecisão em imprecisão, a que lugar chegaremos? No caso, a imprecisão - o que ele é um funcionário ou assemelhado? - o favoreceu em habeas corpus.
UPA da Fazendinha
Mau serviço nas UPAs não é novidade: basta uma reportagem de TV mostrando o povo nas filas, e dando depoimentos sobre a qualidade do serviço; o que é, felizmente, raro é o caso de morte que em outras partes do país tem maior frequência. Todavia, quando isso ocorre, como se deu na UPA da Fazendinha, há o empenho em sindicâncias e inquéritos, como se não fosse comum o mau trato, o que exigiria, aí sim, toda essa corrida da autoridade para mostrar-se zelosa.
HC de Lula
De repente, a Justiça como o Corpo de Bombeiros se vê ameaçada com alarmes falsos. Tal se deu ontem no Tribunal Regional da Quarta Região com um habeas corpus em favor de Luiz Inácio Lula da Silva e não autorizado. Essa prática, a da demanda sem sentido, satura ainda mais os serviços judiciais e deve ser combatida áspera e exemplarmente.
Desemprego
Em maio a taxa de desemprego no país subiu para 6,7%. O indicador surpreende na série histórica, mas é flagrantemente a resposta da recessão. Mesmo com a economia em queda o nível de ocupação era um das referências de algum otimismo na reversão dos acontecimentos.
Novidade
Normalmente, a Procuradoria Geral do Estado não tromba com o governo, o que não a impede de estar em campanha por uma autonomia da advocacia pública, que romperia com a acomodação tradicional. Agora, ela investiga desvios na Fundepar da ordem de R$ 30 milhões. De repente, não saberemos em que lugar público não há problemas. O mais grave: o primeiro denunciante foi demitido. Deram um xeque mate nele.
Assincronia
A decisão do Judiciário e outros poderes darem o repasse total da inflação acumulada mostra a falta de rumos e de comando do governador. Se a conjuntura é grave, como se diz, não pega bem essa assincronia de orientação fiscal. Ao governador, se governasse, caberia usar seu poder de persuasão para que todos ajudassem no ajuste fiscal.
Folclore
Loucuras como essa do habeas corpus de Lula nada têm de incomuns: nos anos 80 um vigarista, que se passava por mestre de Direito, foi recebido com euforia pela cúpula do Judiciário e do governo e deu a aula inaugural da Federal. Na segunda-feira acabou em cana, deixando mal o pessoal da terra pelo papelão da compulsão no oba oba.





