LUIZ GERALDO MAZZA
Greve saturante
Como o reajuste dos servidores foi estabelecido, conforme os desejos de Beto Richa (29 a 19 na aritmética legislativa), desapareceram as razões para manter acesa a greve das universidades. Acertadamente a de Londrina decidiu suspendê-la e a de Ponta Grossa sofreu um baque com a liminar judicial em favor de estudantes de Odontologia do último ano que impuseram o retorno pessoal, sem obstrução, às aulas.
Fazendo balanço de todo o ocorrido apenas a defesa da integridade do fundo de pensão, causa matriz do choque violento de 29 de abril, tem um sinal do justo e adequado, algo mais relevante que o imediatismo do ajuste salarial porque trata do horizonte futuro manipulado, em malandragem de parque, e que não deixa de ser uma pedalada previdenciária que se anima o Tribunal de Contas da União com relação a Dilma, aqui jamais ocorreria pelo império da cordialidade que se sobrepõe aos ataques habituais ao Código de Contabilidade Pública.
Está na hora de os professores, tanto os do terceiro grau como os do médio, perceberem que agem contra os alunos e suas famílias e nem constrangem os governos porque todos passam por essa experiência e se reelegem como tem se dado a rigor. E a frequência com que partem para essa ''ultima ratio'' se dá porque o governo, irresponsavelmente, não faz uso do dispositivo de reação que está na lei como o de não pagar os dias parados que em São Paulo mostrou, depois de quase 90 dias, a sua eficiência pondo abaixo a farolagem de suposta hegemonia desses grupos sindicalistas dominados pela soberba e o fanatismo.
Risco
Um casal e uma criança de nove anos estavam num barco que se perdeu na altura da Ilha de Mel e acabou em alto mar. Felizmente, foram resgatados, mas esse tipo de ocorrência não é incomum em que pese os cuidados da Marinha em termos preventivos.
Vulnerável
Curitiba está cada vez mais vulnerável: dias passados no encontro das duas marechais houve o ataque, a tiros, à gerente da loja Tim; ontem um assalto no alto da XV no Mercadorama. Para os marginais, está uma verdadeira moleza.
Outra coisa
Uma coisa é o monarca espanhol, saturado com as chatices do venezuelano Chaves, reclamando o ''por que não te calas'' e outra é a plebeia advertência do Traiano à militante sindical mandando-a calar-se. Há mais pompa no nosso caso do que no do alerta ao bolivariano. A propósito: é preciso insistir no que Marx disse na Enciclopédia sobre o ''caráter'' e ''coragem'' de Bolívar. A malandragem esquerdista tenta sugerir que o eurocentrismo do filósofo o levou a subestimar as lutas anticoloniais.
Primeiro os teus
O refinamento na mobilização oficial para negar o reajuste do funcionalismo com base na inflação acumulada é o anverso do encenado ontem na Assembleia com supostos benefícios concedidos aos servidores legislativos. Traiano deitou e rolou como se estivesse imitando seu antecessor em busca de protagonismo.
Quem se danou foi o pessoal do Executivo porque no Judiciário deram os 8% da inflação acumulada. Que sincronia é essa em pleno ajuste fiscal?
Leilão
Novo leilão nesta sexta-feira de carros apreendidos na Lava Jato. Um deles é um Volvo de R$ 130 mil.
Folclore
Lula se queixa da falta de uma utopia que já foi o forte do PT e que agora todo mundo só pensa em cargos e posições: tudo substituído pelo pragmatismo da ocupação do aparelho de Estado, fundos de pensão, agências reguladoras, feito em escalada nunca vista no país e causa geratriz dos propinodutos do mensalão e agora do petrolão. Como ser idealista e compenetrado num quadro desses? A compulsão pelas vantagens é a visão ''revolucionária'' possível, pelo menos a mais imediata.





