LUIZ GERALDO MAZZA
Exemplo candente
Apostamos demais na Lava Jato e também na Publicano, daí porque teve sentido didático a reportagem desta ''Folha'' na edição de domingo sobre o precário resultado do escândalo AMA/Comurb que serviu para cassar Antonio Belinati e até agora não devolveu um centavo da roubalheira aos cofres públicos. Como já se passaram 15 anos daquela operação do governo Lerner no desespero de garantir a eleição no segundo turno em Londrina e que se respaldava, entre outras coisas, na compra pela Copel de 45% das ações da Sercomtel, a telefônica municipal. Lembro que houve um deslocamento massivo, força-tarefa como se diz, de marqueteiros e dirigentes empresariais da capital para Londrina, dentre eles o comandante em chefe da tesouraria das campanhas do grupo que ganhara o governo.
Uma farra com dinheiro público ainda tramita no Judiciário com boa parte dos envolvidos, a essa altura, beneficiados pela prescrição, inclusive a figura mor, Belinati, favorecido também pela ultrapassagem dos setenta anos.
Depois do mensalão e, provavelmente, muito mais agora com o petrolão difícil seria a aceitação dessa engenhosa impunidade pela sociedade, mas o fato é que ela se junta a tantos episódios congêneres. O fato é que mesmo essas duas excepcionais referências se sujeitaram ao longo do tempo a incidentes que acabaram beneficiando os envolvidos como a tecnicalidade da aceitação dos embargos infringentes que reduziram sensivelmente o peso das punições no caso do mensalão que não dependeu, como se dá agora na Lava Jato ou no caso menor da Publicano, de delações premiadas.
Vale, portanto, como alertamento imperioso essa reportagem que ganhou também as redes sociais pelo seu agudo sentido documental e exemplar e que recomenda todas as cautelas possíveis para evitar a tragédia da repetição, aí feita em forma de farsa e burla, como naquele alertamento de Marx a Hegel sobre a reprise no curso da história da civilização.
Acareação
Nem toda acareação, como a de ontem havida entre Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, foi acatada pelo juiz Sérgio Moro. Quando da referência ao fato de terem dado R$ 10 milhões a Sérgio Guerra, presidente do PSDB, para enterrar a então CPI da Petrobras um dos participantes citou o fato de haver um outro paranaense na parada. O advogado de Youssef, à época, mostrou-se bem interessado no fato e sugeriu acareação não acatada pelo juiz como algo fora inteiramente do foco processual.
Outro ministro
Ontem foi a vez de Guilherme Afif Domingos (que aliás teve votação excepcional para presidente da República no Paraná), o ministro da pequena empresa, dar seu recado e estava acompanhado do coordenador da bancada paranaense e relator da nova lei que amplia ganhos potenciais do microempresário, deputado federal João Arruda. O drama da área, apesar do rebuscamento organizacional, continua sendo a elevada taxa de natimortalidade das empresas e barra parte do esforço pela economia formal.
Polêmica
Tanto na Assembleia como na Câmara de Curitiba preconceitos religiosos afetam a busca de racionalidade dos planos estadual e municipal de educação mormente nas chamadas questões de gênero, reveladoras de nossos ainda baixos níveis de civilidade numa perspectiva republicana e dificuldade em separar o Estado leigo das questões confessionais. De 66 emendas apresentadas no legislativo estadual pelo menos dez foram rejeitadas.
Folclore
Se o governador Beto Richa é, de fato, como proclama, o maior interessado em conhecer tudo sobre a fraude na Receita Estadual dificilmente poderia conciliar essa intenção com os pedidos de seus advogados para que a demanda passe para o Superior Tribunal de Justiça, o que de cara obstruiria as investigações em andamento. Como o governador não é investigado, coisa que não deseja, obviamente, o pleito não emplaca. Pelo menos até agora.





