Luiz Geraldo Mazza
O amigo ao lado
A constância com que o governador Beto Richa é prejudicado nas suas relações de amizade e até de longínquo parentesco suscitam um tema de maior relevância no comportamento político: até que ponto, nessa era de gravações, é preciso tomar cuidado com essas aproximações? Em alguns casos ele impressiona pelo traço de lealdade como se deu na absolvição de um dos seus assessores-chaves, ainda hoje secretário de Estado, amparado pelo foro privilegiado, o Ezequias Moreira.
O caso do fotógrafo Caramori, é um deles: a simpatia pelo governador é de tal ordem que tatuou o nome Beto Richa no próprio corpo e tirou cromos abraçado à Sua Excelência. Embora tenha razão o governador em argumentar que tudo isso nada significa há uma atmosfera, hoje negativa, que pela repetição é perniciosa à sua imagem. Ademais quem pode conter um assessor que se acha mais do que é na condição de ex-agregado à Casa Civil e que se vale do ambiente em que atua, Londrina, para exibir-se?
Também constrangedora a ilação que se extrai, naturalmente, do fato de um seu companheiro de aventuras automobilísticas, na condição de piloto ou copiloto, o auditor Márcio Albuquerque Lima, apontado pelo Gaeco como o chefe da gangue de achacadores da alta hierarquia fiscal e que teria sido indicado pelo parente distante, Luiz Abi Antoun, para a função administrativa e um dos encarregados de transferir recursos dos desvios e chantagens para a campanha eleitoral, ao menos no rigor da delação premiada.
Delação não é prova
Como afirmou o novo ministro do STF, Luiz Fachin, delação premiada não é prova, no máximo um indício pelas circunstâncias em que se dá. Se corroborada pelos fatos se transforma em matéria probatória, isso é depois de checada e demonstrada a sua procedência, fundada em dados periciais, como se vê em boa parte das diligências, inclusive no exterior, da Lava Jato. Mesmo sem esse instrumento - a peça forte da delação premiada - o mensalão foi avante e derrubou a argúcia de advogados notáveis como Marcio Thomaz Bastos
Mas a imagem do governador é alcançada pelas especulações e o esforço dos seus advogados é de obter medida cautelar no STJ, foro do julgamento dos governantes, que o livre de tantas presunções negativas. O fato é que na delação premiada o auditor Luiz Antonio de Souza afirmou que houve R$ 4,3 milhões de propina junto a empresários na campanha da reeleição e deu em detalhes a forma como se processava, em triangulação, para que tal recurso assumisse características de legal, expediente que possivelmente possa ter sido empregado nos lances da Lava Jato, razão pela qual situações desse tipo podem estar nas prestações de contas aprovadas na justiça eleitoral.
Chalaça, figura histórica
Uma expressão típica de áulico é o Chalaça, historicamente consagrado, como há outros como o do puxa-saco, indispensável na fauna, aquele que pega com sofreguidão na chaleira. A música popular consagrou no ''Yá-Yá me deixa subir essa ladeira// que eu sou do bloco dos que pegam na chaleira''. Por vezes uma figura dessas, sem ter a expressão de um PC Farias como se deu no caso Collor, pode gerar problemas sérios para o suposto assessorado, o que pode ser um desses casos ocorridos com Beto Richa como deve ter acontecido com tantos dos seus antecessores.
O bajulador é uma necessidade do governante: ele tem uma função de manter seu Ego em alta. Embora caricaturável, faz parte do mundo afetivo da autoridade, já que se mimetiza com tantos dentre os que a adulam. A música popular sacou esse tipo de gente em ''O cordão dos puxa-sacos'' e que era mais ou menos assim ''Lá vem o cordão dos puxa-sacos// dando vivas aos seus maiorais// quem vai na frente vai passando para trás// e o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais//'' Às vezes, porém, o puxa-saco, como qualquer variedade de áulico, pode ter outras habilidades, desconhecidas do seu protetor.





