Sinal de vida?
Um bafo no espelho, uma das formas primitivas de saber se uma vítima de acidente acabou de morrer foi exercitado ontem na Fiep pelo governo federal ao anunciar o programa de concessões referentes ao Paraná. Quebrado o Estado está, como se vê na resistência ao cumprimento da lei que manda reajustar salário de barnabés pela inflação acumulada e também em outras evidências como seu precário nível de investimento público (caiu mais de 90% em relação ao primeiro quadrimestre de 2014) e suas dívidas ainda não saldadas com fornecedores, prestadores de serviço e empreiteiras.
Em meio ao cenário arrasado - sob o impacto da denúncia de mais de cem indiciados na roubalheira do fisco pelo Gaeco - um sinal de vida nesse anúncio de ações na área do mano Pepe, de longe até aqui a mais estimulada, ainda que protegida pelos manuais de confidencialidade, eufemismo educado para aquilo em que a oposição vê mais uma caixa preta no festim do pedágio.
O que não pode, nessa altura, é vermos o governador abismado com o efeito das referências vagas de pessoas do seu convívio envolvidas nos chunchos da fiscalização dentre as quais algumas fazem alusões ao seu nome, daí o empenho de seus advogados em agir cautelarmente no STJ com o que haveria o bloqueio tal qual se deu na Operação Gafanhoto, que envolvia mais de oitenta deputados de várias legislaturas, e que foi brecada porque dois deputados haviam sido eleitos como federais e isso alterava o foro da demanda. Até hoje se arrasta a Gafanhoto, enquanto operações posteriores como a dos arquivos secretos já deram margem a condenações de servidores, nenhuma de deputado.
Ainda que ciente de que não há o seu indiciamento e que as referências ao seu nome parecem desconectadas, o governador quer o remédio heroico da transferência da demanda para a instância superior com prejuízo de tudo o que foi até aqui apurado a despeito da gravidade das diligências que ficariam severamente prejudicadas e o processo obstruído em seu andamento. É do maior interesse do Estado o detalhamento da corrupção fiscal, ainda mais porque se afirma que ela se dá no mínimo há três décadas e não há sentido, no fragor de uma crise fiscal como a vivida, em admitir que num setor estratégico das rendas públicas persista a anomalia.
Que o sinal de vida ministerial de ontem não se dissipe. Porque do governo estadual não se pode esperar muito, a não ser depois do ajuste fiscal.

Desobediência
Novamente sindicalistas do Hospital de Clínicas partem para a desobediência judicial ao se recusarem a liberar Unidades de Terapia Intensiva na greve em andamento. Na disputa contra o convênio com a estatal de assistência hospitalar fizeram o mesmo e nada aconteceu como sanção. Tal qual se deu com os professores estaduais foram inúteis os despachos de ilegalidade e pelo jeito as coisas assim permanecerão até que se cumpra a lei, o que parece singelo, simples demais, mas não é, apesar do mensalão e petrolão.

Lava Jato
A Operação Lava Jato em ascensão: presos ontem os presidentes da Odebrech e da Camargo-Gutierrez. Dá impressão que tudo isso é sonambulismo.

Mediação
Motoristas e cobradores e empresários dos ônibus, mediados pelo Ministério Público do Trabalho, se acertaram e evitaram a greve: os casos de assédio serão apurados. Habemus omnibus na segunda.

Encíclica
No blog do Zé Beto o informe de que o papa Francisco ao condenar produtos transgênicos simplesmente seguiu a ordem de cima, do senador Requião. É bem possível que até as hóstias sejam feitas de trigo geneticamente modificado.

Folclore
Requião falou que o governo Beto Richa atua como quadrilha no fisco. Como o fato se dá, desde 1985, segundo o Gaeco, ninguém foi tantas vezes governador como ele ao longo do período, três mandatos, doze anos. Ninguém teve tanto tempo para o combate.

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