LUIZ GERALDO MAZZA
Ansiedade justificável
Delação premiada, como acentuou o novo ministro Luiz Fachin, não é prova, mas indício. Mas a preocupação dos advogados do governador em obter no STJ alguma medida cautelar que corte a onda de suspeição é insistente. Tanto que semana passada o ministro relator do processo, João Otavio de Noronha, negou a liminar pleiteada, repetindo entendimento da 3ª Vara Criminal de Londrina, segundo o qual não há indiciamento formal de Beto Richa, apesar das referências nos noticiários, um tanto quanto vagas.
Percebe-se que a preocupação é com o impacto da mídia, mormente a nacional, em torno da operação Publicano, na qual pessoas ligadas (entre elas até um parente remoto) ao governador estão enquadradas. Uma das preocupações mais recentes foi a de acentuar que os desvios na Receita Estadual são de longa data, de 1985, gestão José Richa, seu pai, mas que se tornaram endêmicos agora, como se detectou no desdobramento das investigações e diligências do Gaeco.
Advogados do governador têm razão em buscar esse tipo de remédio, dado o fato de se reproduzirem, seguidamente, informes e suposições que alcançam o governador e a sua esposa, causa essencial da contratação do criminalista Renê Ariel Dotti que está à espera de uma decisão conclusiva do relator uma vez que este pediu informações à 3ª Vara Criminal de Londrina e ao Gaeco.
O governador está num inferno astral: revelada a quebra do Estado introjetada em seu primeiro mandato e estabelecida a crise política no choque com os professores e servidores públicos em geral e, somado tudo isso ao ajuste fiscal e à recessão, dá para perceber que não há gabinete de crise, por mais talento que tenha, capaz de sair-se bem da empreitada. A dificuldade em fazer andar, apesar da maioria tranquila que detém no Legislativo, o projeto de aumento dos servidores estaduais dá bem a medida da situação.
Missão Fachin
Entre os 1.400 processos que estão aos cuidados do ministro anteontem empossado, Luiz Fachin, há um do Paraná: uma reclamação do advogado Cid Campelo que tentava impedir a posse de Mauricio Requião no Tribunal de Contas no processo 93/75. E isso se dá justamente agora quando o Tribunal de Justiça por três vezes adiou decisão em torno da pretensão do político em retomar o seu posto como conselheiro.
Intolerância
Intervenções de evangélicos, tanto na Câmara Municipal de Curitiba quanto na Assembleia Legislativa, em torno de doutrina pedagógica nas questões de igualdade de gênero e ensino de história das minorias dificultam o consenso. Esse conflito se repete em escala nacional e revela a dificuldade de grupos religiosos, de um modo geral, não entenderem o caráter laico do Estado e da educação, o que mostra a visão pouco republicana dominante.
Atletiba
Um atletiba administrativo: o prefeito (coxa) Gustavo Fruet dá 30 dias na Justiça ao Atlético Paranaense para que ele ceda espaços na Arena da Baixada a órgão municipal, conforme texto contratual até aqui não cumprido. Tempero ácido para semana de Atletiba.
Contas
Se o Tribunal de Contas da União pode investigar ''pedaladas'' fiscais da presidente Dilma Rousseff é óbvio que os órgãos estaduais teriam igual prerrogativa. Ocorre que a tradição nos estados-membros é de extrema cautela nesse tipo de conflito, visível no fato de que não desaprovam balanços, o mais das vezes se limitando a fazer ponderações como restrições doutrinárias.
Folclore
A preocupação em dar tratamento político a um tema técnico foi o tom dos oposicionistas ontem na análise do primeiro quadrimestre na perspectiva fiscal pelo secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa: ele negando condições para dar a taxa de inflação acumulada de reajuste e os deputados sofismando em cima de tema que não dominam. O sofisma é o desvio da sabedoria.





