LUIZ GERALDO MAZZA
Achaque do cheque
Voltaram a falar - e o assunto teve destaque no congresso do PT - na CPMF, o imposto do cheque que na primeira vez teve a inspiração na figura limpa de Adib Jatene para atender exclusivamente a saúde e que acabou misturado no Tesouro. Tentaram agora, em meio ao aperto fiscal, o seu retorno voltado inteiramente para a ''salvação'', sobretudo, do Sistema Único de Saúde.
Tivemos, ontem em Curitiba e região metropolitana, exemplos claros de que essa não é a solução em unidades de Pronto Atendimento da Fazendinha na capital e na de Fazenda Rio Grande: na primeira o atendimento de uma pessoa levou nada mais nada menos do que duas horas e, na segunda, dos quatro médicos escalados apenas um havia comparecido ao trabalho. Uma questão de civilidade e cultura não se resolve com mais imposto, com mais dinheiro.
Esses episódios, colhidos ao acaso no cotidiano, mostram que a solução para os problemas de saúde, em todos os níveis, é também de ordem moral, carência de humanidade e deboche como já se viu em casos como o dos dez médicos capturados pela Polícia Federal cabulando frequência no Hospital de Clínicas, fato que teria se repetido em organização congênere de Santa Catarina.
Junta-se, pois, ao lado de uma efetiva deficiência instrumental, falta de equipamentos adequados e em alguns casos abandonados e perdidos como se dá com os medicamentos, esse descaso por falta de monitoramento ajustado e essa absoluta ausência de consciência e de zelo profissionais.
Ao contrário, juntar mais dinheiro, enquanto não se cuida do básico, iria apenas aumentar as já chocantes condições funcionais dos serviços com mais desperdícios. Se nem na urgência de um ajuste fiscal se observa qualquer linha de austeridade como norma comportamental dá para imaginar o que teríamos com a renovação do tributo que, aliás, foi derrubado pelo povo num dos seus grandes momentos como o da queda de Collor, e as sagas dos anões do orçamento, do mensalão e agora do petrolão.
Vamos dizer não, enfaticamente, a esse novo achaque do cheque, mole de arrecadar e duro, duríssimo, de aceitar.
Gaeco de novo
Se há órgão com imagem forte é justamente o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), por força da área em que atua, a da ecologia. Pois o Gaeco enquadrou a cúpula da organização, o seu presidente, diretor jurídico e diretor técnico por desvios e falhas no credenciamento ecológico no derradeiro paraíso litorâneo do Superagui.
Dentro em pouco, haverá uma inquietante pergunta: qual organismo estadual está fora da observação do Ministério Público? Afinal, há o caso do fisco, o mais abrangente, e temos também o da Segurança Pública com aquele bando de tiras encapuzados invadindo a mansão de jogos e lenocínio supostamente protegida no primeiro mandato ao tempo da gestão secretarial de Reinaldo de Almeida Cesar, um quadro de ouro da Polícia Federal.
Aziago
Não é apenas o governo paranaense, que vive um momento aziago de notícias ruins, como se vê nas intervenções do Gaeco. A Sociedade Evangélica, que não sabe como sair da crise em que se meteu, de ordem administrativa e também financeira, foi obrigada pelo Tribunal de Contas, na semana passada e só ontem revelada, a devolver R$ 470 mil à Prefeitura de Curitiba.
Emenda
Vai ter emenda no projeto de aumento do funcionalismo e quem a vai assumir é Requião Filho que deita e rola em cima da crise no empenho de fazê-la crescer quando aparentava definhar. Mas esse é o papel de oposição e como ensina seu justiceiro pai ''contestá-lo é preocupação de quem está com o rabo preso'', forma pouco sutil de referir-se aos betistas do partido.
Folclore
O fato de a corrupção fazendária ter mais de trinta anos não exime de responsabilidade os governadores de 1985 para cá, irmãos siameses PSDB-PMDB. Inclusive o atual até porque os sinais de envolvimento de pessoas próximas (como o parente remoto Luiz Abi Antoum e o companheiro de pilotagem automobilística) agravam a situação.





