Pergunta cristalina
Como pode o governo tocar, na área fazendária, um ajuste fiscal radical com a sua hierarquia auditorial envolvida em chunchos inclusive no achaque em cima de contribuintes, como se viu na ação de ontem do Gaeco em Londrina prendendo 47 pessoas entre funcionários, empresários, advogados e contabilistas? Se o secretário Mauro Ricardo Costa, na verdade quem detém o máximo em poderes, pode conviver com esse absurdo não se entende. Afinal, ao lado dos cortes em despesas, como se fez cirurgicamente com o reajuste dos barnabés, há, é claro, a necessidade de levar a arrecadação crescer e como fazê-lo com tal patologia interna a minar também a credibilidade na instituição?
Uma elite funcional, manipulada por políticos como o parante remoto Luiz Abi, que aplicava parte dos desvios, segundo as denúncias, na campanha da reeleição, está aí para esclarecer tudo certamente com a assistência de advogados que os aconselharão a calar como classicamente se dá na CPI da Petrobras e em desdobramentos da Lava Jato. Ou ainda em ratificar a formalidade das doações eleitorais como se viu no caso das transferências de recursos das empreiteiras ao Instituto Lula ou à empresa de consultoria do Zé Dirceu. Por mais suspeitas que tudo isso venha a gerar é relevante que o processo se mostre transparente e assegurando as garantias constitucionais aos indiciados ou investigados.
De outro lado, indispensável que órgãos como o Gaeco atuem nos estritos limites da lei a fim de não abrirem caminho para nulidades que afinal podem comprometer o andamento das apurações.

Complicadores
Com a decisão das universidades estaduais de Maringá e Ponta Grossa em manterem a greve, o que se pode repetir com as demais, tolda-se de novo o ambiente político, apesar da aparência de normalidade ontem na tramitação da mensagem de aumento. É combustível inegável para a oposição insistir no papel de defender, residualmente, as demandas funcionais.
Obviamente, a greve do ensino médio é mais perturbadora por suas consequências mais imediatas e mexer no cotidiano das famílias. Anteontem, afinal, o governo deu a resposta pedida pela Justiça, iniciativa de Requião Filho, para mostrar a razão pela qual não pode conceder o aumento automático, inflação acumulada: deficit de R$ 2 bilhões no exercício e infração da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Para manter o contraditório, seria interessante que o Dieese ou algum órgão equivalente contestasse o ponto de vista oficial. Se pensamento único é algo abominável, também se pode dizer o mesmo da perícia única.

Vazamento
Novo vazamento em botijões de gás na Polícia Federal: tal equipamento, que tinha duas bocas abertas, fica precisamente embaixo de onde opera a força-tarefa da Lava Jato. Não é paranoia, mas cautela elementar.

Em primeira
A mensagem do reajuste passou por 30 a 16 na votação de ontem. Pelo que se vê a oposição continua minimalista e o bloco independente não é lá essas coisas.
É o caminho da soberba e da prepotência para o governo insensato. A esperança, oposicionistas, é a cavalaria americana como nos filmes de caubói.

Conflito
Se há questão delicada é a dos moradores de rua: que eles fiquem à noite diante de uma loja é aceitável, como se dá, há anos, na galeria lateral do HSBC no Juvevê, mas não há sentido em que bloqueiem a frente de uma casa comercial durante o dia. Ontem uma situação equívoca se deu entre moradores de rua e PMs sob a alegação de que foram retirados seus haveres da calçadas e postos num caminhão da Cavo. É combustão de primeira em política: culpar a prefeitura ou a Polícia Militar de tratarem mal essas pessoas. Uma arma contra Carlos Lacerda, anos 60, foi chamá-lo de mata-mendigos acusado de lançar seus corpos no Rio de Guarda pelo jornal ''Última Hora''.

Folclore
Agora o primo distante, Luiz Abi, estará mais distante do que nunca porque foi considerado foragido pela justiça.

mockup