Um ano que não acaba
Zuenir Ventura viu 1968 como o ano que não terminou. Para nós, 2015 só termina em fevereiro de 2016 em função da greve ontem encerrada dos professores. E bastou isso para que os deputados, bem no estilo de sempre, já aprovassem a mensagem na CCJ e fixassem o prazo até hoje para liquidar a fatura e deixar a quem servem, o governo pródigo, em paz.
Cada escola, conforme ficou acertado, cuidará da recomposição do calendário e tudo termina sem sanções contundentes à APP-Sindicato, à exceção da multa de R$ 1,4 milhão fixada pelo Judiciário e indispensável, em termos pedagógicos, para que se perceba que não existe greve sem ônus, já que o maior foi dos alunos e pais, enfim da sociedade.
Quem sai mais chamuscado de tudo isso é o governo, inclusive com a certidão emitida pelo secretário Mauro Ricardo Costa de péssimo gestor por haver gasto o acumulado de 72% nos dispêndios com pessoal mais encargos. Essa é menos grave do que o massacre de 29 de abril, mas funciona como tatuagem e que pega forte na imagem do político que ocultava isso com jogadas de marketing, o que é de uma irresponsabilidade piramidal.
Aos professores, obtida, como sempre, a anistia dos dias parados, restou, embora em votação difícil, a consciência da derrota porque pela vez primeira, desde 2007, não obteve o reajuste automático da inflação acumulada. Por sinal que o público no estádio de Vila Capanema era menos da metade do registrado no auge da folia, evidência maior do processo de desgaste da parede.
De outro lado, o que os lulopetistas pretendiam (criar barragem para neutralizar a roubalheira e os miasmas do assalto à Petrobras) não foi obtido e tiveram ainda que saber da falação do Youssef sobre a participação de Dilma Rousseff nas questões da estatal e que podem embasar a fundamentação do tão falado e sempre transferido pedido de ''impeachment'' do tucanato.

Mais perda
Quando o Paraná ficou sem a rede Bamerindus nem poderia imaginar que suas perdas atingiriam níveis catastróficos. É que o HSBC, às vésperas de uma absorção, pode gerar mais efeitos sociais danosos por aqui que ameaçam nove mil bancários na terra, dos quais 7,5 mil em Curitiba, razão dos fechamentos de agências ontem por ações do seu sindicato em desesperado e inútil protesto. Em ISS só a prefeitura da Capital perde R$ 80 milhões anuais que naturalmente serão compensados, em parte, pela nova contingência, conquanto percamos a sediação administrativa em Curitiba. Para um quadro recessivo, inexiste nada pior.

Maior aumento
Até hoje, desde 2007, quando da implantação do ajuste automático e com a recomposição da inflação acumulada, na data-base, para o funcionalismo estadual o maior percentual foi justamente o do ano passado em 6,5%. O mais baixo foi com Requião em 2007 com 3,14% num momento de economia em alta.

Agronegócio
Mais uma vez o agronegócio responde com vitalidade aos desafios do momento recessivo: 22 milhões de toneladas de grãos no Paraná com queda em milho e feijão e nada menos de 16,87 milhões de toneladas de soja, 7% maior que a safra anterior. Um pequeno alento: balança com superavit de US$ 1,976 bi na primeira semana de junho. Em cenário sombrio não deixa de ser um estímulo por insignificante que pareça.

Dengue
Um caso autóctone de dengue numa criança no bairro de São Braz, na capital. É raríssimo, mas a Secretaria Municipal de Saúde o confirmou.

Planalto
Salário de uma professora de Planalto (Sudoeste): 27 mil reais. Ganho bem distante da planície.

Folclore
O que o PT inspira não é apenas rejeição, mas sobretudo ódio. Quem o declarou foi o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, o que certamente pode significar o rompimento de relações com o partido que o ajudou e que demoliu, com engenho e arte, nos lances do mensalão.

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