Blindagem impossível
É evidente que até o momento não há qualquer referência explícita que comprometa o governador e sua esposa na Operação Publicano. No entanto, as referências feitas, inclusive em delação premiada de um dos auditores, exigem clara apuração, tanto na questão específica do suposto desvio de dinheiro achacado de contribuintes à campanha eleitoral e na hipotética, no mínimo estranha, contribuição dos servidores fazendários à campanha do agasalho do Provopar e com o detalhe de que esses funcionários encaminhavam demandas de seu interesse (recebimento de prêmios da ordem acumulada de R$ 1 bilhão que o governo, como sempre, empurra com a barriga), de qualquer forma uma aproximação, tanto quanto as outras como a de o chefe da gangue, segundo a delação, auditor Marcio Albuquerque de Lima, ser aquele piloto ou copiloto de experiências automobilísticas do governador.
Por indicações menos sugestivas, muitos gestores públicos enfrentaram ameaças até de impeachment como ocorreu em 1954 com Getúlio Vargas, isso antes mesmo do atentado contra Carlos Lacerda e que matou o major Rubens Vaz. Políticos pagam pela ‘’bandeira’’ que dão a certos conhecidos como ocorreu com o cinegrafista Caramori, lotado em Londrina como servidor da Casa Civil, e que postou na internet uma imagem com o governador sugerindo intimidade. Outra questão pertinente a do parente distante, Luiz Abi Antoum, apontado nos relatos ao Gaeco como eminência parda e indicador de pessoas aos postos na cúpula fazendária.
Ao juiz criminal não caberia outro despacho que não o da circunstância de Beto Richa e sua esposa não serem investigados. Mas o governo, de certa forma, está enquanto não houver clareamento das afirmações do auditor Luiz Antonio de Souza. O fato de ter sido apontado como marginal pelo governador por estar denunciado por abuso sexual de menores não lhe retira a condição de capaz de fazer acusações, ainda mais sob proteção juramental, embora não seja tão qualificado como os personagens cotidianos da ‘’Lava Jato’’.
Enquanto o processo não chegar ao fim - isso é apuradas as denúncias e garantido o mais amplo direito de defesa dos acusados e procedido o juízo - não há blindagem possível. Soa como um band-aid.

Lembrança
Dá para perceber que a figura do momento é Mauro Ricardo Costa no papel de mostrar a realidade, inclusive os erros grosseiros de gestão de Beto Richa no monitoramento das contas, e de ser a maior garantia de os barnabés não estarem sendo enganados em suas apreciações. Indispensável, porém, para manter em alta essa credibilidade é afastar os suspeitos da hierarquia fiscal e compensar essa ausência com um programa ousado de arrecadação e fiscalização para a recuperação do Erário que não se fará apenas pelos cortes.

Agressão
A onça de Turim, ali do Centro Cívico, predominante no jardim da rotatória, foi alvo de depredação. Curitiba, tida como exemplo urbanístico, não é muito ciosa dos seus monumentos: volta e meia temos algumas das nossas estátuas agredidas e parece não haver outro meio de ampará-las do que confiar no olhar do público, tal qual se deu com as floreiras do calçadão. No início era comum o ataque a esses ornamentos e com o tempo o olhar zeloso dos cidadãos foi a arma eficaz para conter abusos. Com todo agito do Centro Cívico, a depredação maior foi a de 29 de abril indistinta e contra o povo.

Fria?
A revista ‘’Veja’’ ia publicar um suposto atentado contra a Polícia Federal e essa, diligente, saiu-se à frente, dizendo que a explosão na copa teria sido fruto de um vazamento de gás. Como há uma luta intestina entre facções da própria corporação, nem tudo é explicável como a história, por exemplo, do aparelho de gravação encontrado na cela de Youssef.

Folclore
Nos anos 80a, século passado, em dois ou três meses várias onças pardas foram abatidas por agricultores na área de São Luiz do Purunã. E isso não significa que o fato de uma ter sido filmada na reserva do Morato que a área atlântica está protegida.

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