LUIZ GERALDO MAZZA
Questão de crédito
O impasse é menos de débito do governo, isso é sua real impossibilidade de pagar a inflação de 8% acumulada, conforme os ditames da Lei 15.512, até maio do ano passado aplicada rigorosamente, do que de crédito. A credibilidade no governo é mínima, quase zerada, mormente depois do massacre, quando impôs pela força a sua vontade, a doutrina de Mussolini vigorante no Centro Cívico.
É óbvio, como demonstrou o secretário Mauro Ricardo Costa, na entrevista de ontem, que o oficialismo comprovará, pelos seus números, a quebra fiscal e para que não se firme o abuso do ''pensamento único'', ou melhor a perícia fundamentalista, urge que a APP ponha em campo o Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos) para confrontar a versão do governo, claramente pró-arrocho.
O pleito judicial do deputado Requião Filho teve a virtude de obrigar o governo a provar que está ''quebrado'' e, como a resposta já estava pronta, o tzar das finanças deitou e rolou. Esse é um confronto técnico e não político, daí a necessidade de análise e contestação.
Há em tudo um risco: a tal da agenda positiva de Beto Richa, anteontem fixada nos créditos a 200 prefeitos, pode levar ao desbunde anterior, o clima de oba oba, visível nos restaurantes granfos da praça, em que a rapaziada parecia estar no Baile da Ilha Fiscal, tal a euforia. O sibaritismo ora contido pela conveniência pode aflorar com toda a força, e aí não adianta Mauro que sempre dure com as despesas batendo facilmente as receitas outra vez.
De outro lado, fique bem claro que se a situação for dramática o berreiro e as encenações sindicalistas, com seu aprimorado primarismo e refinamento selvagem, se farão inúteis.
Sequelas
Segundo Mauro Ricardo Costa, injustamente apelidado de "Mauro Malvadeza", se a proposta do zeramento dos 8,37% em janeiro de 2016 fosse adotada, o acréscimo nas contas do pessoal iria a estratosféricos R$ 2,1 bilhões e a sugestão mediadora dos deputados provocaria um salto de R$ 10,8 bilhões para R$ 18,8 bilhões no orçamento. Ainda conforme sua análise, Beto Richa aumentou os gastos com pessoal em 74%. Não disse o que adjetivaria por isso: irresponsabilidade fiscal absoluta. Mas era lua de mel com o poder.
E a receita?
Não foi perguntado ao secretário como o Estado se recuperará na arrecadação com a sua mais alta hierarquia de auditores fiscais envolvida nas denúncias do Gaeco de achaque, inclusive nos contribuintes, e transferência de recursos nas campanhas eleitorais. Isso é tão indelével quanto a pancadaria de 29 de abril. Como o secretário é também um auditor (federal), sabe certamente avaliar tal impacto que aliás se dá no plano nacional em área recursal.
Pós-primavera
O melhor está por vir, segundo o governador, mas não certamente para o funcionalismo, já que a última e provavelmente derradeira proposta de reajuste será de 3,45% em outubro e fechando com os 8,5% de janeiro 2016. Em 2018, com a data-base em maio, o resíduo inflacionário seria inteiramente absorvido. Visível novamente a paranoia das três folhas novembro, dezembro, 13º. Um mínimo percentual aplicado em folhas de R$ 1,4 bilhões daria o caos, como é fácil verificar.
Previsão
Como se admite que nos meses de junho até setembro o funcionalismo não terá qualquer aumento é possível imaginar que muitos acabarão na Serasa e também entre as famílias com deficit orçamentário.
Folclore
José Richa, o pai, criou o 13º, equiparou servidores ativos aos inativos e agora o filho, o Beto, parte para o arrocho e, por isso, os inconformados o estão chamando de "Beto Fifa", aí desejando que ele como o Blatter se mande.





