Contraste intolerável
Concedeu-se ao Mauro Ricardo Costa a condição de Sassá Mutema, o salvador da pátria, como operador principal do ajuste fiscal e num nível que nem o ministro Joaquim Levy detém nacionalmente para a regularização das contas, já que lá ao menos há resistência parlamentar, aqui inimaginável. Mas isso se dá num momento em que o Gaeco detecta ligações perigosas entre um núcleo forte de fiscais e gente do governo, ligadas no mínimo por afetividade, num esquema de propinas e desvios assustador. O chefe da gangue, ainda segundo o Gaeco, é o companheiro de aventuras automobilísticas do governador, grave demais para ser ocultado ou desprezado.
É claro que é mais fácil ao secretário da Fazenda estabelecer regras duras e gerais para o funcionalismo, como se viu na proposta minimalista, do que botar um freio radical na corporação fiscalista. Esse contraste é intolerável porque se a alta hierarquia da fiscalização está comprometida, pelo menos numa escala inaceitável como afirma o Ministério Público, fica estranho e monta um quadro de contradição em termos um setor-chave para esforço de recuperação em ganhos fazendários estar aureolado pelas denúncias com alguns deles livres, graças à concessão de habeas corpus, todavia ainda sob investigação que os obrigaria, no mínimo, a afastar-se das funções.
Se houvesse credibilidade no governo, que sempre escamoteou a quebra, teríamos uma outra situação que também não melhora com a advertência do Tribunal de Contas de que no setor de pessoal, desde o último quadrimestre do ano passado, há a superação do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, o que dito agora tem um tom de bloqueio final ao agito dos barnabés. É que em função dessa realidade o governo está impedido de nomear, conceder aumentos e até mesmo pagar atrasados ou promoções ou progressões. Enfim, o juízo final. Ocorre que se o governo não tem credibilidade a da Corte de Contas não é lá muito diferente já que não consta que no meio de exercício, como tem acontecido, haja revelado esse tipo de preocupação, deixando para fazê-lo como questão consumada no balanço final entre as restrições postas como pecado venial.
Contraste intolerável é fazer arrocho, deprimir ganhos, fixar cortes e ter uma fiscalização suspeita como se fosse uma Fifa medonha a lhe retirar nutrientes e impedir a recuperação.

Multas
A Procuradoria Geral do Estado pediu ao Tribunal de Justiça o cumprimento de sua decisão de multar a APP-Sindicato por 32 dias de greve em R$ 1,24 milhão. Ocorre que há recurso dos professores ainda não julgado e não consta que o TJ esteja empenhado em fazer cumprir a decisão que a declarava ilegal.
Essas omissões todas fortalecem a musculatura da resistência.

Custos
Já se sabe o custo do massacre do dia 29 de abril em diárias, consumo de armas e de equipamentos, mas ninguém apresentou o ônus da greve prolongada para os alunos e os próprios professores. Aliás eles não são bons de boletim, segundo notas do Exame Nacional do Ensino Médio, mais vermelho do que azul. Se fossem bons na regência de aulas, como em greves, estaríamos no ranking.

Furo
Além de o governo estar autorizado a sacar fundos da Paranaprevidência, como se viu recentemente, há informe entre grevistas de que há muito mais do que isso no fundo de pensão. Saímos fácil do desinteresse (no governo Requião um diretor denunciou a quebra da instituição) para o temor generalizado e agora com algum fundamento nas presunções.

Folclore
Coisas incompatíveis com um quadro recessivo como o atual: tocar projetos caros como o do metrô e o do novo Centro Cívico Municipal no Capanema deixam Gustavo Fruet sem obras para sua reeleição, embora Beto Richa, também um negativado em empreendimentos, tenha levado a melhor. Fruet leva a vantagem da biografia.

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