LUIZ GERALDO MAZZA
Quem quebrou?
Mais dia menos dia se saberá quem quebrou o Paraná: como o último é que se incumbe de apagar a luz, o peso maior é de Beto Richa, pois não teve sequer a habilidade de relatar bem a herança recebida. Confiou no Durval Amaral na Casa Civil para essa missão e o atual corregedor do TC se saiu muito mal. Requião, que tem consciência de haver quebrado o Estado, tanto quanto Lerner (lembram do presidente da Copel acumulando a Secretaria da Fazenda?), deitou e rolou.
Como a sua equipe oficial é nutrida pelo oba oba e clima de lua de mel, com a anestesia aplicada, mentiram por método e uma delas a calhordice de que a União prejudicava quando ela, através da Secretaria do Tesouro Nacional, detectava a quebra e a infração sistêmica da Lei de Responsabilidade Fiscal. Recentemente o BNDES mostrou em relatório que o Paraná foi um dos Estados que mais investimentos obteve, inclusive os R$ 6 bilhões numa nova unidade das Indústrias Klabin, o que destrói a picaretagem da acusação contra a União, usada eficazmente na campanha eleitoral e que pegou pela histórica má relação e de baixa reciprocidade com o governo federal.
Afinal, o pepino fica certamente com o atual governador, pois afinal, como ensina o brocardo, quem despiu Mateus que o embale.
Delações
Certamente, o Ministério Público estadual, com o seu braço mais eficaz na devassa de afanos, o Gaeco, tenta seguir o modelo da Lava Jato ao pleitear o retorno à prisão dos já indiciados na Publicano. Esse aperto, o de manter os apontados no cárcere, é muito discutido entre criminalistas e o STF firmou jurisprudência que não parece favorecer esse tipo de intenção. A essa altura instituições envolvidas e políticos tudo farão para dificultar o objetivo dos procuradores, já que indícios atingem toda a estrutura de governo e mostra como as caitituagens funcionais, ''lobby'' em defesa de causa dos fiscais, tem uma linha de comprometimento entre o que faziam de legal e ilegalmente, isso sem falar na empatia das doações pela campanha eleitoral. Falta, porém, como dizem juristas, relação de nexo causal físico-subjetiva, entre intenções e resultados.
Barragem inútil
É visível o esforço do lulopetismo em tentar neutralizar os informes das roubalheiras do mensalão e petrolão, e isso é visível na radicalização da greve dos professores, aqui e em outros pontos do País, pela interferência da CUT e agora nesse pedido patético de ''impeachment'' pelo conflito do Centro Cívico, ônus maior do oficialismo. É, no entanto, um passo à frente dos movimentos de direita, com os quais nem o PSDB concorda, pelo impedimento da presidente. Um jogo de braço coletivo e que em nada reduz o gravame da corrupção constatada, cada vez mais evidente.
Quebrado
Bem menos que o governo estadual, também o município da capital está quebrado num furo de cerca de R$ 600 milhões. Como Fruet declarou que seu antecessor lhe havia deixado um buraco de R$ 700 milhões, ele recuperou apenas R$ 100 milhões, muito pouco para três anos e pouco de mandato. Ainda, de qualquer jeito, um "desfruet", já que até agora não disse, apesar da inegável honestidade, a que veio. Degradou o sistema de transporte e ainda o ameaça com o trambolho do metrô inútil. Outra coisa: não sabe mais o que cortar, ainda que tenha condições de obter empréstimos, o que já é alguma coisa.
Folclore
Uma indevida interpretação de vinculação entre vencimentos de deputados estaduais e vereadores levou o Tribunal de Contas a impor à Câmara Municipal de Curitiba ordem de devolução de dinheiro recebido irregularmente. Isso se deu em 2003, imaginem, doze anos atrás, e ainda há direito a recurso. Dá para pensar que o último ato de Derosso, aquele que o comprometia em verbas de propaganda, manipuladas por sua esposa jornalista, vai sair lá pelo ano 2050.





