LUIZ GERALDO MAZZA
Renê e Thomaz Bastos
Renê Ariel Dotti está para a Operação Publicano do Gaeco, que denuncia um esquema diabólico de auditores fiscais do Paraná, como o grande Marcio Thomaz Bastos figurava no mensalão. Se a denúncia for bem feita, ainda mais centrada em delações premiadas, como se dá com a Lava Jato, as dificuldades para o grande jurista paranaense serão imensas, mas também se com a sua lupa privilegiada detectar nulidades, seu trabalho se tornará normal e com ampla possibilidade de vitória como as teve em circunstâncias bem piores em plena ditadura militar em defesa de todos nós, jornalistas.
O advogado, por melhor que seja tecnicamente e mais respeitado por sua obra nos tribunais superiores, teria dificuldades imensas se a massa de crimes dos fiscais ficasse bem comprovada, apesar do tom de espanto e perplexidade que provoca pela facilidade com que foi operacionalizada sem que qualquer órgão de controle interno o percebesse.
A forma como vinham sendo divulgados os fatos numa perspectiva isolada desse órgão do Ministério Público exigia, pela contundência incontestada desses eventos, uma visão do ''outro lado'', que sempre cabe à imprensa, todavia que no caso carecia de fonte esclarecedora, ora conferida em parte ao jurista. É que jamais se viu, a não ser em recente nota, uma intervenção de entidade dos acusados para ao menos tirar essa impressão de que não apenas alguns, mas uma ampla maioria da categoria estaria envolvida nos delitos por maior que fosse o espanto provocado. E só não se fala em incredulidade como se fosse um cenário do teatro do absurdo porque estamos vacinados diante da realidade em rotina aqui se revelar mais forte do que a ficção.
Como o governo também não dava a sua versão, embora nelas encalacrado em chocantes referências, percebeu-se que não havia o contraditório em questão de tão suma gravidade. O momento, aliás, é agudamente negativo ao governo por ter sonegado, como fez Dilma Rousseff em sua campanha, a quebra fiscal e ainda por cima ter desencadeado o desastrado confronto de 29 de abril no massacre dos sindicalistas. E é em cima das consequências da 'Publicano' e do episódio do Centro Cívico, mais a insólita referência sem base documental e informe anônimo, em torno do envolvimento da primeira-dama, a razão pela qual o advogado é convocado para defender a honra e a dignidade do governador e a sua sacra privata, a família.
Desespero
Se os números oficiais de escolas em funcionamento for verdadeiro, a greve, apesar das aparências, está com as horas contadas. Talvez, essa constatação esteja na origem dos atos desesperados como os da semana passada no bloqueio à Secretaria da Fazenda e os de ontem com a invasão dos núcleos regionais para evitar a consumação dos descontos dos dias parados. E essa seria a pior das derrotas da APP-Sindicato - jamais ocorrida ao longo de tanto anos de greves - e evidência da arma mais forte do governo não usada por pura omissão. Tanto que o bloqueio da pasta fazendária ruiu no momento em que o governo avisou, talvez até por malícia, que impedia a confecção das folhas de maio, afinal as dos meses anteriores foram regularmente pagas mesmo sem aulas.
A dificuldade política vai ser no Legislativo com grande número de defecções da base aliada e se houver recuo quem pula fora é o Mauro Ricardo Costa como se dá, de certa forma, com o ministro Levy no plano nacional, um temor do PT.
Isenção
Como o episódio de ontem - a multa do juiz Sérgio Moro ao advogado de Cerveró por abandono processual - pode dar margem à retomada de um velho argumento que sempre se suscitou no andamento da Lava Jato: falta de isenção do magistrado, o que não se comprovou em nenhuma das ocasiões anteriores.
Folclore
Tarso Violin, com seis mil assinaturas, pede impeachment de Beto Richa. Tão ridículo e inoportuno como o da Dilma. História se repete, mormente no Brasil, por absoluta de imaginação.





