"Uma das dificuldades está na fulanização, isto é, na identificação de quem faz determinada proposta"

Milagre no consenso

Raramente se vê nas nossas práticas políticas um consenso como o observado na campanha pelo jurista Luiz Edson Fachin por seu ingresso no STF. Até a unidade expressa no Senado, com todos irmanados na boa causa, isso sem falar na capilaridade de entidades regionais e nacionais, que a apoiaram, acabou se transformando num dos bons momentos de nossa história em que afastamos aquele arquétipo que tanto nos caricatura da autoflagelação.
Obviamente as qualidades excepcionais do jurista, que aqui fez sua carreira, facilitaram essa arregimentação que dava conteúdo especial à causa, orgulho de nossa cultura. Quando se vê essa unidade é de perguntar-se se teríamos um temário possível de nossas reivindicações, mormente no que diz respeito às nossas demandas em logística infraestrutural, para incluí-las numa plataforma dentre as muitas que instituições como o Pró-Paraná já formularam e também ações como a da Fiep e Faep na identificação de aspirações nossas de curto, médio e longo prazo. Muitas delas, como as referentes a ferrovias e aos nossos portos e aeroportos, são questões óbvias que independem de questionamento de traço doutrinário e ideológico e em muitos configuram interesses permanentes da sociedade paranaense por sua força agregadora.
Uma das dificuldades está na fulanização, isto é, na identificação de quem faz determinada proposta: uma delas a do empresário Joel Malucelli relativa à construção de um aeroporto de cargas (o de Afonso Pena é sabidamente deficiente e que obriga inclusive cargueiros a voo baixo na Grande Curitiba) nos Campos Gerais. Essa aspiração já foi de Ponta Grossa que pretendia fazer disso um novo ciclo em sua economia tão criativo quanto aquele que lá implantou um dos maiores parques agroindustriais do País. É claro que a localização apontada não é pacífica já que há pendências de caráter ambiental quanto a efeitos tidos como perversos ao bioma.

Um fórum permanente
O fato é que, a despeito da existência de estudos antigos, de projetos e propostas, volta e meia se declara, isso na política, que elas simplesmente não existem e ainda recentemente no governo Dilma Rousseff vimo-nos olvidados nos programas de transportes que ignoravam o nosso porto e o fato de termos uma linha ferroviária, relativamente moderna, entre Guarapuava e Cascavel. Ali se percebeu a ausência de interlocução entre os governos federal e estadual, embora tivéssemos nada menos que três ministros, dentre eles a Chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.
Esses fatos reforçam a necessidade de manter de forma permanente um fórum das nossas causas como já o tivemos nos governos Lupion, Munhoz da Rocha, Adolpho Franco e Ney Braga no funcionamento da Coordenação do Pladep, Plano de Desenvolvimento do Paraná que devíamos, aquele tempo, à figura exponencial do coronel Alípio Ayres de Carvalho, o genuíno introdutor do planejamento em nossas rotinas, tanto na prefeitura da Capital em que lançou os fundamentos do sistema de transportes coletivos como no Estado em relação às técnicas de prever para prover.
É evidente que isso tudo ganhou sentido no governo Ney Braga quando houve uma revolução com a criação da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Paraná, mais tarde Badep, financiando prioritariamente a infraestrutura e num segundo momento o desenvolvimento dos vários segmentos da economia.

Massa crítica
Não temos hoje a massa crítica (estudos específicos nas várias dependências públicas, quadros técnicos e perdemos as rotinas que os sustentavam) daqueles anos que nos permitiu, por exemplo, disputar com o Rio Grande do Sul o terceiro polo petroquímicos do País e com o melhor dos estudos graças à "inteligentzia" que então dispúnhamos, embora perdendo politicamente para os gaúchos com o fundamento da refinaria Alberto Pasqualini. Como compensação nos concederam uma unidade de amônia e ureia e a operação do porto de Paranaguá para complementar à de São Francisco em Santa Catarina. Havia estudos, retaguarda técnica. Hoje com o Estado se tornando leigo em planejamento, como tem acontecido, entidades de classe assumem esse papel intransferível.

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