LUIZ GERALDO MAZZA
Com vagar, mas muda
Aos poucos percebe-se mudanças no comportamento institucional decorrentes da pressão da opinião pública (isso já havia ocorrido no evento dos anões do orçamento e na queda de Fernando Collor bem como na derrubada da CPMF), e é agora muito mais visível com o mensalão e a Lava Jato. O mais importante é que isso se estende agora também aos feudos estaduais, ainda que com menor frequência.
Anteontem, o Tribunal de Justiça retificou entendimento anterior sobre aquele escândalo da licitação do Anexo do Tribunal e deu continuidade ao processo. E ontem uma decisão da Vara da Fazenda Pública condenou a chefia da Casa Militar mais o governador Beto Richa e a empresa Helisul a devolverem R$ 2 milhões ao Erário pelo uso indevido de helicóptero e um jatinho, quando a administração dispunha de aviões em condições operacionais.
Revolucionários nunca admitiram confiar na evolução para atender demandas e preferiam que tudo se resolvesse a tapas e não por etapas. Aqui temos uma tradição, a da gradualidade, observada nas leis do ventre livre, do sexagenário e Áurea na questão escravista e mesmo no período de chumbo com o ritmo lento e seguro rumo à volta da democracia, pregado por Geisel.
As ações do Gaeco em cima da corrupção sistêmica da hierarquia fiscal com suposto dreno para o caixa eleitoral do governador (fato confirmado na prestação formal de contas do PSDB) mostram a acefalia na gestão pública, ausência de comando e explicitam o quadro de quebra financeira é claro com a contribuição de governos anteriores de Requião e de Lerner, duplicados.
Como as denúncias se avolumam, é sensata a contratação do jurista Renê Dotti para fazer a defesa do governador e de sua esposa, exposta em referência anônima e não merecedora de crédito, nas sequelas da questão fiscal e do massacre do Centro Cívico em termos de responsabilização pessoal e familiar. O peso do criminalista restabelece equilíbrio face à catadupa de informes cada vez mais chocantes na televisão, nos jornais, rádios e na internet que hoje substitui com vantagem as garatujas e palavras de ordem nos muros do passado.
De vagar se vai ao longe no aprimoramento institucional. Devagarinho, devagarinho, como diz o sucesso de Martinho da Vila, mas para a frente como quando o Neymar está com a bola.
Redundância
Duas carretas com 179 tabletes de cocaína apanhadas pela Polícia Rodoviária no Noroeste eram dirigidas por motoristas bêbados. Reincidência anedótica.
Tiro certo
Não importa se maliciosa (terrorismo psicológico ou verdadeira), a notícia de que o bloqueio do prédio da Secretaria da Fazenda iria impedir que as folhas de maio do funcionalismo fossem processadas. Foi um tiro no peito dos mais ousados, o que comprova que se o governo fizer uso de suas prerrogativas, como a de cortar dias parados, expõe a greve a virar tigre de papel, como dizia o velho timoneiro Mao-Tse-Tung. A parede desidrata, liofiliza-se.
HSBC, sempre
A trajetória do HSBC, até por ter substituído o Bamerindus no Paraná, é mais do que tortuosa: com a perspectiva de ser absorvido por Itaú, Santander ou Bradesco entre outros, apavora os bancários da terra que aqui detém um terço de seus quadros o que implicaria em demissões em massa. Por isso, entre as medidas defensivas, reclamam a intervenção do Cade.
Folclore
O anedotário político sugere que o verbo habilitar sem o agá, referência a supostas manobras do parente distante Luiz Abi, é uma constante e inferida até na designação da esposa dele na Sercomtel. Como de resto, é referida até como decisiva na indicação do hierarca-mor da Receita Estadual, tido, na versão do Gaeco, como o comandante da gangue fiscal que achacava empresas. O verbo ''abilitar'' vertido de Luiz Abi é, no entender de muitos, uma credencial incontrastável, o que obviamente o governo nega.





