LUIZ GERALDO MAZZA
Outro curto-circuito
Já tivemos mais de um curto-circuito no interior
do governo e com o tzar das finanças Mauro Ricardo Costa: o primeiro aquele de pretender cortar os quinquênios dos funcionários, posta no primeiro pacotaço; agora Beto Richa desautorizou qualquer medida destinada a vender ações da Copel e Sanepar que o supersecretário anunciou no jornal Valor
e que teve a maior repercussão.
Ninguém entendeu a jogada a não ser que visasse criar um clima de crise fiscal maior do que a existente e com a finalidade de justificar o arrocho nos salários de funcionários. Não poucos lembraram da odisseia da venda da Copel e dos seus efeitos políticos devastadores sob a desastrada ação de Lerner.
O clima é exatamente esse: o governo, em sua escalada de terror, parece mais perdido que bebum em tiroteio. É que o refinamento sadomasoquista perdeu noção de medida e de repente sai o decreto autorizando o uso do vale transporte e vale refeição, apenas uma vez por semana, revogadas as disposições em contrário.
Aquilo que tem um assento de tragédia, pela dimensão do exagero, acaba em comédia pastelão:
os integrantes do governo, secretários e deputados, trocando glacê e tortas em redor da mesa festiva.
O fato é que depois dessas artes tanto Masoch quanto o divino marquês de Sade se sentem complexados
e andam à procura de um psicanalista porque o governador, com aquele rosto de mocinho de novela, os superou e agora espera colocar os milhares de funcionários à espera de algo bem pior do que os 5% de reajuste em prestações.
Ave Gaeco
Palavra de ordem ontem no Centro Cívico, arte
de milhares de funcionários lá reunidos: Beto Richa pode crer// o Gaeco vai pegar você!.
MP federal
Apesar da confiança nas ações do Gaeco nas investidas sobre os chunchos do governo, os deputados da oposição, cientes de que não emplacam a CPI da Receita Estadual, querem que o Ministério Público Federal investigue as já enunciadas maracutaias da praça com o parente cada vez mais remoto e o chefe da quadrilha, ora piloto, ora copiloto do governador.
Pras calendas
A demanda de Maurício Requião pela cadeira
do Tribunal de Contas teve mais um adiamento:
o desembargador Antonio Loiola, que o relataria,
não compareceu à sessão de anteontem no Órgão Especial. Sai depois dos 5% dos barnabés, dentro de 15 dias.
Explicação
Agora está explicado por que Luiz Carlos Hauly, como secretário da Fazenda, não tinha força para escalar sua equipe e que o parente, cada vez mais remoto, Luiz Abi, dava as cartas, conforme as revelações mais recentes.
O cerco
Não apenas o líder Luiz Claudio Romanelli sofre
o cerco de sindicalistas em sua casa. Outros estão escalados ao mesmo padecimento de humor duvidoso. Só falta um deles, em nome do sossego, chamar a polícia.
Tumulto
Será difícil conciliar o andamento normal do Legislativo na tramitação da mensagem de aumento com a presença de manifestantes, como se viu ontem quando os deputados da base aliada eram vaiados como se deu com Élio Rusch e que levou a presidência a declarar encerrada a sessão. Vem aí um repeteco bastante provável do 29 de abril, a não ser que haja fatos novos como uma alteração na rigidez da mensagem governamental ou o bloqueio das galerias de novo, medida fascista, mas inegavelmente eficaz como se deu com a lei do fundo de pensão.
Folclore
O jeito mesmo é vender os ativos do governo paranaense, como sugeriu o Mauro Ricardo Costa, já que não se sabe o que fazer com os passivos.
E como há passivos, minha gente!





