Poder vacinado
Os Três Poderes estaduais, como é da nossa tradição e na contramão do que pregou Montesquieu, estão imunizados para opinar sobre o assalto aos fundos da Paranaprevidência: é que acertaram uma compensação de quase R$ 500 milhões para cobertura de dispêndios com aposentados, aqueles com mais de 77 anos. Além dos poderes, como sempre lá estavam a Procuradoria da Justiça e o Tribunal de Contas o que os inabilita, como instituições, a opinar sobre a legalidade não apenas da lei em si como desse corolário que os beneficiou e do qual, certamente, jamais abririam mão.
Aliás, o Tribunal de Contas já havia respondido à interpelação da Procuradoria do MP junto àquele órgão que a competência para qualquer revisão seria do STF.
Assim, por exemplo, a liminar que concedeu a aposentados do Judiciário anistia da contribuição fica prejudicada e igualmente vacinada a hipótese de outros servidores buscarem proteção em mandado de segurança.
É o império do tzar das finanças que se mostra desolado quando assiste qualquer sinal de recuo na dureza junto aos barnabés. É o motor e combustível das ações sindicais que virão.
Reafirma-se com isso uma tradição da paróquia: aqui só atos externos do Tribunal de Contas da União, Polícia e Justiça Federal mexem no clima de concórdia e paz dos acertos da autarquia, algo que não é distinto das demais unidades federativas e que comprovam as distorções do nosso federalismo em relação ao Estado de Direito Democrático.

O bom ladrão
Jesus foi crucificado ao lado de dois ladrões: o bom era o Dimas. Nesse momento, os apanhados pelo mensalão e o petrolão tentam dizer que Dimas está com eles, já que o mal seria esse time de auditores de Londrina que fizeram chantagem com devedores do Fisco e, ainda por cima, segundo um deles, em delação premiada, teriam desviado parte desse afano para a campanha vitoriosa de Beto Richa. Como na verdade os dois lados são interessados em questionar a força dessas delações, quase sempre acompanhadas de provas, se esforçam para argumentar que o bom ladrão estava do seu lado, envergava a sua camisa.
O que não pode é um Youssef, reincidente específico e genérico, ser visto como uma espécie de santo, responsável pelo encaminhamento da Lava Jato, enquanto o outro é olhado como um abominável molestador de menores e ainda por cima peculatário. Aliás, quando se descobriu o caso do assessor de Gleisi Hoffmann, notável por suas façanhas estatísticas sexuais com menores, a turma oficial se comprazia em destacar o descuido na formação da equipe da Casa Civil. Agora, vários casos se acumulam, tanto de mão no pote como nas partes pudendas de menores, contra funcionários de Beto Richa, um deles amigão do peito e companheiro de provas automobilísticas. De repente, aflora a tese do bom larápio, ao autor de delitos menores. Como lecionava Jean Paul Sartre, o diabo são os outros.

CPI da Receita
Dificilmente passará a CPI da Receita Estadual. Tá tudo dominado, mas se o governo estivesse interessado em clarear as coisas a aceitaria. Lembro de uma convocação oposicionista do secretário da Fazenda de Munhoz da Rocha, José Eugênio Guimarães, guarda-livros antoninense, Genico, encarando uma oposição de Hélio Setti e Accioly Filho (dá para comparar com o time de agora?) e se saindo muito bem nas explicações. Esse risco hoje não se deseja correr.

Folclore
O Tribunal de Contas condenou ex-prefeito de Apucarana José Carlos de Oliveira a devolver aos cofres públicos R$ 140 mil aplicados na propaganda indireta, merchandising, que projetou numa novela a importância institucional de sua fábrica de bonés. Essa é de tirar o chapéu, pois a medida visava expor uma empresa da terra como Maringá e Cianorte poderiam fazer com as roupas,

Aumento
Sanepar ameaçou greve e deram aumento de 7,78% aos seus trabalhadores. Na Casa Grande tudo, na Senzala nada, como se faz com os barnabés.

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