Política Atualizado em 16/05/2015, 23:00
LUIZ GERALDO MAZZA
No andamento desta semana tivemos alguns fatos históricos por sua fortíssima originalidade como o questionamento dos procuradores junto ao Tribunal de Contas da constitucionalidade das mudanças na Paranaprevidência e o fato de estar na pauta do Órgão Especial do Tribunal de Justiça o pleito de Maurício Requião para restaurar a sua vaga, dada como legítima, e depois anulada, como conselheiro e que teve o seu lugar ocupado pelo novo presidente da Corte, o conselheiro Ivan Bonilha. Como o assunto já esteve na pauta anteriormente, acredita-se em novo adiamento.
Claro que as duas questões desagradam o governo, mas se dão em espaços de prerrogativas específicas tanto do contencioso de contas como do órgão mais importante do Poder Judiciário. É evidente que ambas rompem a rotina permanente de calmaria e, sobretudo, de cordialidade no convívio intrapoderes, todavia se constituem em evidências de vitalidade institucional, pois nada têm de ociosas ou gratuitas ainda que produzam efeitos, ao menos aparentes, de enorme contrariedade nos que exercem o poder e habituados a prebendas mesmo quando nas cordas do ringue como se deu com as convulsões de 29 de abril no Centro Cívico, no maior aparato de guerra já visto no Paraná e que colocou muito mal as condições operacionais da Polícia Militar essa cômica, porém, também trágica vitória de Pirro.
Tivemos ainda em decorrência do conflito a exploração de imagens dos digladiantes como a feita em cima do servidor do gabinete de Tadeu Veneri lançando um vaso de flores contra os policiais: o autor assumiu o desvario e pediu exoneração do cargo, posto que o exercesse há muitos anos. Foi o que bastou para que o deputado Ricardo Arruda partisse para o transbordamento pedindo exame psiquiátrico em todos os servidores e nunca nos deputados que parecem moscas mortas quando não enxergam, integrando as comissões executivas da Casa, ou como observadores as manobras dantescas do Bibinho e posam de inocentes, inclusive com o apoio da corporação fraterna.
Há também o pedido de processamento das estudantes de Londrina, aquelas que declararam ter sido postas nuas por PMs femininas, em vídeos largamente postos nos noticiários de televisão. Alegam que tudo não passa de uma armação e querem reparação. Nos dois casos, como se vê, não há mártires verdadeiros e sim vítimas de um processo de radicalização potencializado pela polícia que atuou como se fosse uma ocupação guerrilheira, tal o aparato mobilizado.
A ocorrência-chave da semana, fato que raramente se dá em rituais parecidos, foi a sabatina do jurista da terra, o gaúcho Luiz Edson Fachin, que a despeito dos seus óbices políticos foi uma demonstração da unidade paranaense, ali expressa pelos três senadores e o governador e a bravura do postulante. O desempenho de Fachin recuperou os melhores momentos da intervenção da inteligência da terra em acontecimentos nacionais. A arregimentação, bem compensada pela aprovação do nome por 20 a 7 na Comissão de Constituição e Justiça, permanece para evitar surpresas até a votação da matéria no Senado.
A resistência ao nome do jurista parte do PSDB e PMDB, especialmente esse na cobertura aos interesses políticos do presidente da Câmara Alta, Renan Calheiros, em permanente jogo de braço com Dilma Rousseff e na sequência de embaraços em votações do ajuste fiscal. Nunca um postulante foi tão exposto como agora não apenas na duração da sabatina como na frequência dos ataques pelas redes sociais, em esquema de saturação, que o jurista se ocupa em responder
principalmente questões de deontologia no exercício profissional. O esforço para barrá-lo persiste e nem pode ser subestimado, em que pese a expectativa de hoje aparentar favorecê-lo.





