LUIZ GERALDO MAZZA
União transitória
Foi expressiva a união da bancada paranaense no Senado em defesa da indicação do professor Fachin para o STF. Além desse fato estavam lá ainda o governador Beto Richa e o presidente da Assembleia Legislativa, Ademar Traiano, irmanados no mesmo propósito diante do maior cerco já havido numa sabatina do gênero. Isso deu a impressão momentânea de que há perspectiva de frente comum em causas paranaenses.
Mas foi lá mesmo, no Senado, que Roberto Requião anunciou a sua disposição de ir ao Supremo Tribunal Federal pleitear a intervenção do Ministério da Previdência no Paraná por causa da lei que permite ao governo mexer no capital do fundo de pensão para mascarar manobras de suposto ajuste fiscal. Se no caso da indicação do jurista houve essa perspectiva de unidade, obviamente não se repetiu na questão previdenciária face ao potencial político da questão e que está na raiz do massacre dos professores no Centro Cívico. Com essa postura, Requião mantém o estilo ferrabraz de sempre e tenta levar Beto Richa às cordas do ringue e, para tanto, explica que não tem restrições ao parecer ministerial que veta a operação feita, mas deseja ação mais profunda que decrete, aí sim, a intervenção no Paraná em função da distorção aludida.
O curioso é que tanto Beto Richa como Requião, este em suas várias gestões, responderiam por um furo superior a R$ 7 bilhões na Paranaprevidência. Até prevalece, sem julgamento em seu mérito, um pleito de Requião justamente para evitar o que agora pretende solicitar: intervenção federal no processo. Da mesma forma que Beto Richa engendrou a desculpa de perseguição da União pela quebra financeira do Estado, que se consolidou ainda em seu primeiro governo, o seu ex-adverso tenta agora passar a história como alguém que salvou e não que ajudou a afundar o fundo de pensão. Um exemplo de oportunismo histórico.
Num dia de festejada e surpreendente unidade, a autofagia voltou com toda a força. Como dizia Jofre Cabral Silva, aquele homem com a ceifa à mão nos símbolos do Paraná não é um lavrador, mas alguém armado para cortar a cabeça do primeiro paranaense que deseje aparecer. Ainda bem que pouparam Edson Luiz Fachin da selvageria do boicote ampliando as fileiras daqueles que o vetavam.
Livro
No seu depoimento na CPI da Petrobras, o ex-deputado federal André Vargas também silenciou, porém quando foi perguntado se não se sentiu abandonado pelo seu partido murmurou que isso ainda dará um livro no futuro.
Biografia
A insistência dos inquiridores de Fachin sobre seu suposto engajamento no PT levou o senador Alvaro Dias a lembrar que o jurista fez campanha presidencial para Mário Covas e estadual para José Richa.
Agenda
Parte da agenda positiva de Beto Richa foi cumprida com a sua ida à sabatina do jurista Luiz Edson Fachin em Brasília. Fez questão de postar-se, como Alvaro Dias, como um tucano que não concorda com a manobra política do PSDB junto com Renan Calheiros para marcar ponto contra Dilma Rousseff hostilizando o jurista. Outro fato positivo está nos contatos de seus secretários da Educação e da Administração com o Fórum dos Servidores Estaduais na discussão em torno do reajuste salarial. É possível que o índice saia dia 19 e até lá a greve persiste. O governo quer parcelar, o funcionalismo rejeita.
A estrada é longa, ingrime e tem pedras no caminho que nada têm a ver com as da poesia de Carlos Drummond de Andrade.
Folclore
Até a lei da gravitação universal, a maçã de Newton que cai da árvore, serviu de argumento para o deputado Arruda, o mesmo que absolveu Nelson Justus, calcular o peso do vaso com flores da altura em que foi lançado para atingir mortalmente os soldados da PM. Há esse vídeo e aquele outro do palaciano que festejava o ataque militar contra os professores. Um empate em indiscrição.





