Quem falta cair?
Quedas no governo Richa são naturais sem que ele necessite tomar a medida radical: a espera da decisão, enquanto os conflitantes duelam, acaba impondo o pedido de exoneração que ocorreu com a Educação, a Segurança e a Polícia Militar. Os desgastes que deveriam ser dominantemente do governador acabaram assumidos em sua totalidade pelos envolvidos: de todos o que menos ônus teve foi o da Educação, Fernando Xavier Ferreira, que ainda por cima acabou substituído por uma superintendente por ele designada por sua atuação no interior.
O uso saturante da força, que provocou a tragédia, embora repudiado, não foi discutido como doutrina tal qual vinham fazendo alguns delegados e oficiais da Polícia Militar que fazem restrições a esse tipo de orientação. O fato é que duas dessas secretarias - a de Educação e Segurança - é que geraram as maiores e profundas crises desde a primeira gestão, mas os conflitos foram largamente compensados pela vitória eleitoral, posto que já estivesse bem caracterizada a crise fiscal nas lesões repetidas à Lei de Responsabilidade Fiscal.
Essas exonerações soaram, no plano geral, como um ato de autocrítica e isso, ao menos, limpou em parte a barra do governador que hesitava em fazer aquele exercício de autoridade fixando culpas e fazendo valer o seu comando. Como não aposta nessa via, acabou favorecido, o que se deve mais aos que caíram pela consciência dos erros de desempenho.
Uma ironia está no fato de ter criado obstáculos à ação do Gaeco, quando da presença do procurador de Justiça Cid Vasques na pasta e, em seguida, ter provido aquele órgão do Ministério Público de meios para ampliar o seu raio de ação e que agora se voltam contra agentes de sua proximidade tanto nos chunchos fazendários em Londrina como nas ações do parente remoto Luiz Abi. Aí se destaca um dado relevante, o da impessoalidade, embora os oposicionistas se empenhem em destacar e aprofundar o que chamam, sem provar claramente, de afinidade parenteral e de amizade.

Um profissional
Foi inteligente a decisão de atribuir a um delegado da Polícia Federal a pasta de segurança e pelo perfil dominantemente profissional (e sem sinais de político) Wagner Mesquita de Oliveira, desde 2003 na corporação e que precedeu na delegacia de combate ao crime organizado o atual operador da Lava Jato. Já tivemos no comando da Segurança vários delegados da PF como Moacir Faveti na gestão Requião, Rubens Tanure com Jaime Lerner e Reinaldo de Almeida Cesar com Beto Richa e, mais recentemente, Fernando Francischini.

Atrasados
Havia ontem protesto e faixas no Hospital Vitor Ferreira do Amaral, vinculado ao Hospital de Clínicas, de salários atrasados dos médicos da instituição. Virou moda, apesar do convênio com a empresa federal de serviço hospitalar.

Paralelismo
A CPI da Petrobras atual é mais ativa do que as anteriores, mas é visível o intento de transformá-la em campo operacional para neutralizar no espaço político a desenvoltura da Lava Jato, notada em iniciativas como a de convocar o procurador-geral da República por suposta influência do presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha. Isso deve transparecer nos primeiros dias da semana no auditório da Justiça Federal na oitiva de ex-deputados federais e outros indiciados presos.

Folclore
A Segurança até hoje só beneficiou um político: Ney Braga, na condição de chefe de Polícia (posto, então, equivalente) do seu cunhado Munhoz da Rocha e que catapultou a eleição de prefeito da capital em 1954. Outros tentaram como Moacir Faveti, que se perdeu no caso das bruxas de Guaratuba (Aníbal Curi defendi o pai e marido das acusadas) ao afirmar que entregaria os indiciados ao povo caso houvesse concessão de habeas corpus e esteve na operação em que a PM matou o Teixeirinha em represália ao homicídio de três milicianos pelo MST.

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