LUIZ GERALDO MAZZA
Pior não fica
Como diz o Tiririca ''pior não fica''. É impossível imaginar um quadro mais desolador do que o atual no Paraná, viramos motivo de vergonha e de gozação. Aliás, nos filmes clássicos dos anos 40 havia tradicionalmente o mocinho, a mocinha, o vilão, o gurizinho, o cachorro e o gozadão. Em termos cênicos subvertemos tudo em nossa terra: há uma disputa para ver quem é mais gozadão, se o governador, o presidente da Assembleia, o secretário de Segurança, enfim, tantos outros personagens, inclusive do lado dos agredidos.
Uma bateção geral de cabeças, como a da defesa coxa contra o Operário, tem fluxo contínuo: a cada instante um fato novo como o papelão no Senado na Comissão de Direitos Humanos para a qual o governo enviou um jovem que levou um texto para defender as mudanças na previdência e foi moído por todos os participantes em momento em que a oposição (Requião e Gleisi) deitou e rolou. E rolou ainda uma carta do comandante da PM e oficiais repudiando o jogo de empurra do secretário Francischini que esteve presente em todos os lances de planejamento da atuação da tropa no qual o bombardeio teve a duração de uma partida de futebol, sequencial, sem intervalo, uma hora e meia.
Tal qual o episódio da Copa - os 7 a 1 da Alemanha fazendo esquecer os 2 a 1 pró Uruguai de 1950 - o papelão de agora superou de longe o de 1988 com as bombas de Alvaro Dias sobre os mestres e que compará-los é botar no mesmo nível um jogo de adultos e um de dente-de-leite. E como a metáfora apropriada é o futebol, pode-se comparar o governador Beto Richa com o goleiro Vaná dos coxas: de culpado específico em más saídas de gol no jogo de Ponta Grossa, se transformou em autor genérico do descalabro. Tanto que o Coxa o tirou do gol para reafirmar também uma transferência de responsabilidade. Distante, pelo menos até aqui, do caso do Barbosa de 1950 que ficou marcado pelo gol de Gighia, sabidamente injusto e que marcou uma das piores condenações de um atleta. Beto é o Vaná: seus colegas gritam ''vai nessa'' e ele não vai, sua abrangente culpa está em tudo, especialmente no vexame que estamos passando. Só que Vaná saiu e ele fica, mas de uma forma incrível dando a impressão que não está presente, tal a distância entre a sua figura e as ocorrências.
Motim
A carta de repúdio que oficiais militares encaminharam a Beto Richa contra o secretário de Segurança, Fernando Francischini, esgarça de forma contundente o tecido institucional nunca tão próximo da anomia como agora. Mostra, antes de tudo, a dificuldade de comunicação interna de um governo em que transferir culpa virou moda e a qual aderiu o próprio governador quando tentou até colocar o Judiciário como a causa, tal qual fizera o Traiano.
Uma carta dessas tem em tudo, em linguagem de milico, um traço conspiratório de amotinamento, prova cabal da falta de liderança e comando do governador. Seria impensável imaginar um Munhoz da Rocha, um Ney Braga, um Jaime Canet, mesmo um adoentado Parigot de Souza ou até seu pai, o conciliador José Richa, numa situação dessas. Se esperarmos que o governador faça uma acareação entre as partes e ponha fim ao conflito interno, ficaremos como na peça do teatro do absurdo no aguardo do Godot.
Pepino
Antes de o Ministério da Previdência opinar sobre a ''pedalada'' fiscal na Paranaprevidência, já temos sinais desagregadores: uma liminar do Tribunal de Justiça beneficiou um grupo de desembargadores aposentados contra a cobrança da taxa de contribuição de 11%. Categorias organizadas vão pleitear, depois de examinado o mérito da questão, a extensão do privilégio.
Folclore
Uma nova fábrica da Volks, agora em Ponta Grossa no Paraná Competitivo: botou em circulação lá e na capital nada menos de cinco gols. Novinhos em folha.





