LUIZ GERALDO MAZZA
E todos perderam
Todos se saíram mal nos conflitos recentes do Centro Cívico: Executivo mais o Legislativo e o Judiciário. O primeiro por perder, de uma forma infantil, o comando da situação; o segundo pelo radicalismo da subserviência e o terceiro por figurar como um participante apagado incapaz de fazer valer suas decisões como a ordem de retorno às aulas e a fixação de multas à APP-Sindicato.
E saíram-se mal também os professores, menos pela turbulência desigual que enfrentaram e mais pelo culto da greve pela greve já que saíram de pauta as questões reivindicatórias. Embora tenhamos o automatismo da data-base com a reposição inflacionária que poderia servir para novo jogo de braços, agora sem o apoio das maiorias que se solidarizaram com os mestres e repudiaram Beto Richa pedindo a sua saída do Palácio nos estádios de futebol e no Guairão.
Como a greve foi mantida (a assembleia que a decidiu no Durival de Brito tinha a metade do quórum da anterior lá havida com oito mil pessoas) está lançado um desafio ao governo e ao Judiciário que a declarou ilegal e aplicou multas ao sindicato. Os pais e alunos se decepcionaram com os professores, a quem jamais negaram solidariedade, principalmente aqueles que terminam o segundo grau neste ano e se habilitam ao vestibular.
Mestres dispersaram parte do capital de solidariedade acumulado com a continuidade da parede e isso mina os fundamentos dessa nova etapa do conflito. Apostam na fraqueza do adversário e por isso ousam. E como esse aparenta, pela consciência da culpa, estar acadelado, haja soberba!
Édito
O Diretório do PMDB deu aos seus correligionários prazo de trinta dias para que deixem o governo, caso dos comissionados, ou saiam do partido. Édito de traço imperial que alcança todos os dissidentes e que visa a cabeça luminosa de Luiz Claudio Romanelli. Claro que a matéria importa em contraditório e defesa e há o precedente de que o partido vive conflitos em sua aliança, aprovada em convenção nacional por maioria simples, pró Dilma Rousseff, e que é visível nas cargas desfechadas pelos presidentes do Senado e Câmara Federal.
É estilo Requião. Resta saber se emplaca sem resistência. Quem já arrombou porteira de pedágio não tem medo de bravata. A candidatura de Requião Filho à prefeitura poderia ser objeto de troca bem no estilo fisiológico do partido.
Romanelli recorre ao Diretório Nacional bem como os demais dissidentes.
Medo-pânico
Sessão de ontem da CCJ no Legislativo não saiu pelo pânico dos deputados que não queriam ser vistos pelos professores reunidos no entorno da Casa. Parlamentares mal se podem olhar no espelho como dizia Sartre em ''Entre quatro paredes''.
No Deto
O Gaeco foi ao Departamento de Transporte Oficial (Deto) para apurar documentos que comprometem Luiz Abi, parente hoje quase remoto do governador Beto Richa, nas operações da oficina de reparos de Londrina.
Agenda positiva
Em andamento a agenda positiva de Beto: dá aumento aos barnabés, regula o uso de armas não letais pela polícia civil e militar, assinala reforma do secretariado e assume o combate aos exageros da repressão já enunciados pelo linha dura Fernando Francischini e mostra-se ativo no combate à corrupção, ainda que alcançando os amigos. A hipocrisia continua sendo o elogio que o vício faz à virtude, como dizia La Rochefoucauld.
Folclore
Romanelli disse que Requião pretende recriar no PMDB, com o afastamento dos dissidentes, um Estado Islâmico (EI). Como ele já esteve do outro lado, sabe o peso da ira nas turbulências político-eleitorais.
O sonho do Paraná Clube é botar no jogo contra o Ceará um público igual ao da assembleia dos professores.





