LUIZ GERALDO MAZZA
Decisões judiciais
A demora no cumprimento das decisões judiciais sobre os professores - a que determina o retorno imediato às aulas e a que estabelece multas diárias - é um dos fatores que contribui para o estado de anomia e, consequentemente, drena energia a movimentos de contestação, assegurando-lhes uma aparência de força incontestável, como se dá também com a forma como o governo acata suas demandas como tem ocorrido historicamente, mormente nas últimas gestões. Decisões judiciais precisam ser cumpridas, sem o que a área é atingida pelo ceticismo.
Professores devem se reunir hoje em assembleia e precisam tomar consciência de que, se persistirem na beligerância, perderão o capital de solidariedade que receberam dos mais difusos setores da sociedade, institucionais ou não, por ocasião do massacre.
A batalha contra a "pedalada" previdenciária e fiscal deve prosseguir em outros fronts: no administrativo, acompanhando o andamento da tramitação do processo da Paranaprevidência no Ministério da Previdência, e no judicial buscando fatores passíveis de questionamento. Pegaria mal se adotassem outra postura já que pretendiam exatamente a moratória para aguardar o parecer ministerial, tese aliás que os senadores Roberto Requião e Gleisi Hoffmann defenderam junto aos deputados estaduais que, tomados pela cegueira de aprovar a medida para tirar o aliado patriarcal do sufoco, a rejeitaram.
Retornar às aulas tiraria essa aura falsa de radicalismo atribuída por Beto Richa aos mestres arregimentados. Órgãos independentes apoiam a causa dos professores no caso específico do confronto e do fundo de pensão: OAB, Arquidiocese da Capital, órgãos de direitos humanos e a Defensoria Pública que rejeita a invencionice de que os black-blocs estivessem comandando as manifestações.
Retornar às aulas seria um ato de lucidez nessa batalha e valorizaria as demais atitudes que tomassem no sentido pacífico, de reordenamento das coisas, e de não enfatizar o confronto, o que mostraria que o agressor foi um só: o governo em sua ânsia de fazer valer um artifício, danoso aos servidores da ativa e aposentados, para simular uma saída fiscal como se um ato mágico, uma espécie de abracadabra, estivesse salvando o Paraná, o que não é verdadeiro.
A manutenção da hostilidade, de outro lado, daria razão aos que enxergam no processo uma reanimação da CUT, braço sindical do PT e desse partido, e o objetivo claro de desviar a atenção das petrorroubalheiras criando cenários de dificuldades para governos tucanos como se dá aqui e em São Paulo.
Água fria
A concessão de habeas corpus a presos da Lava Jato foi uma ducha fria nas expectativas da população que viu nessa decisão do STF um "afrouxamento" na luta contra a impunidade, o que decorre de um equívoco de que a prisão de longo prazo já é a condenação. E essa questão da demora em liberá-los foi vista como um meio de forçá-los à delação premiada como se dá no caso de Ricardo Pessoa, tido como o operador do cartel.
A audiência ontem de alguns deles demonstra que o procedimento criminal segue o seu curso inexorável, ainda que a medida liberadora desestimule delações.
Feriadão
Balanço nas rodovias federais paranaenses do feriadão: 13 mortos e 84 detidos por embriaguez ao volante.
Trombadinha
Uma trombadinha entre o Ministério da Saúde e nossas instituições estadual e municipal a propósito de números atribuídos à dengue, que tem efetivamente alguns pontos de epidemia especialmente no Noroeste. De um modo geral, nossos
indicadores são dos menores do País.
Folclore
O problema é o seguinte: se o secretário de Segurança, Fernando Francischini, é o Batman resta saber quem afinal é o Robin. O batmóvel, certamente, é aquele camburão que conduziu deputados e agora foi em cima dos professores.





