Repeteco da história

Em ciência política há um debate entre dois gênios da filosofia sobre o fato de a história repetir-se: Hegel, o criador da dialética, ainda que embrionária desde os pré-socráticos, e Karl Marx, o vanguardeiro do materialismo histórico, com aquele colocando o axioma e este lembrando que ela se dá como tragédia e se reproduz como farsa. O tema voltou à carga quando o analista Fukuyama tratou do fim da história depois da queda do muro de Berlim.
Dá para concluir, como já fiz alhures, que temos mais farsa que história. Por sinal que mais essa batalha entre governo e sindicalistas pode repetir o havido com Lerner no esforço para derrubar a lei de iniciativa popular, que impedia o leilão da Copel. Um quadro tenso como o de agora e o de fevereiro/março deste ano marcou o andamento do assunto, afinal aprovado como queria Lerner por escassa diferença de votos e com incidentes em que até tiros foram dados nos vidros do Legislativo. Atingido o objetivo de vender a joia da coroa, foram para o leilão e neste, em função do ataque terrorista às torres gêmeas e do ''apagão'' do sistema interno, não houve propostas.
Ocorre que agora, com mais facilidade, apesar da resistência dos obreiros, o governo aprovará também a alteração na ParanaPrevidência, mas corre o risco de haver algo como o ocorrido com Lerner: o Ministério da Previdência entender como indevidas as recauchutagens no fundo de pensão. Desperdício de energia, desgaste político profundo dos vencedores e tudo retornando ao marco zero, obrigando aquilo que a sensatez recomendava: mais tempo para a discussão.

Obstrução

Ontem já houve um ato legítimo de obstrução parlamentar: o pedido de vista do deputado Péricles de Mello, do PT, no andamento da matéria na Comissão de Constituição e Justiça e que transfere o exame para hoje. A liminar (óbvia) do TJ pelo acesso popular às galerias pode ensejar a declaração de nulidade dos atos de anteontem, na primeira discussão, que deu 31 a 21 a favor do governo, feitos em sessão fechada a qual o público não teve acesso pela interpretação extensiva do presidente Ademar Traiano em torno da liminar judicial.
Também a figura do ''vândalo'' adotada por ele lembra em tudo a forma como no pós-1964 eram tratados os ''subversivos'', algo fora de moda, genérico demais para desqualificar qualquer crítico ou opositor.

Sanções

O forte na Justiça e na administração é o poder de sanção, mas aí todos os poderes, ao aplicá-lo, são displicentes: raramente se vê um governante ou o patrão cortar os dias parados de grevistas e também muito difícil as ''multas'' aplicadas aos sindicatos serem efetivadas.
Graças às multas é que FHC salvou o Plano Real ameaçado por uma greve de petroleiros: as sanções eram de tal monta que quebrariam a espinha dorsal da Federação e sindicatos de trabalhadores. Mas isso é raro acontecer como se viu aqui nas abusivas greves de motoristas e cobradores.
Usá-la como mera intimidação pega mal e é malícia demais para admiti-la como manobra jurídica aceitável.

Dreno

Segundo o Gaeco, a roubalheira no setor fazendário em Londrina data de 1995 o que revela a baixa vigilância da secretaria, apesar da pose dos integrantes. Com um detalhe grave: a conexão com operadores na capital, lá no coração do sistema, tantas vezes elogiado. O pessoal agia como a doméstica de Eduardo Requião: via montanha de dólares e metia a mão, acreditando que era tanto que um pouquinho ninguém iria notar. O Gaeco diz que não era pouquinho.

Folclore

Caricatura, quanto mais exagerada, define o estado de espírito das pessoas: dizia-se entre os professores no Centro Cívico ontem que agora é mais fácil eleger o Beto Batata do que o Beto Richa, forma deturpada de refazer o jargão "ao vencedor as batatas!".

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