Dois exilados
Pelo menos dois jornalistas, ambos com histórico nesta ''FOLHA'', antes o repórter Mauri Konig e agora James Alberti, tiveram que ''exilar-se'' como garantia contra ameaças de retaliação de
atingidos pelos textos e matérias em jornais e na televisão. Ambos na equipe da RPC tiveram que apelar para essa cautela no primeiro caso em virtude de abusos de policiais e agora no calor do processo de investigações dos desvios na Receita Estadual em Londrina e também do envolvimento de servidores em abusos sexuais contra menores.
De repente, por incrível que pareça, estaremos diante de ameaças incomuns mesmo no regime militar num Estado de Direito Democrático. Por essa razão, os sindicatos dos jornalistas profissionais do Paraná e de Londrina programaram manifestações no 1º de Maio e no dia 3, alusivo à liberdade da imprensa, de protestos. Dir-se-á que nunca tivemos tanta abertura nos meios de comunicação como agora, mas também houve a recíproca dos policiais prensando jornalistas para que declinassem as fontes de informação, o que foi severamente rechaçado pelo governador Beto Richa.
Como o terror é hoje o fator de divisão na luta internacional pode-se ver no que está acontecendo a sua versão primária, embrionária, mas que pode com as circunstâncias transformar-se no ovo
da serpente se mais agentes se dispuserem a valer-se da violência para intimidar jornalistas.
Há quem esteja vendo no episódio de Londrina - o da articulação da hierarquia para achacar contribuintes - em fato rotineiro quando não é pela capilaridade já detectada de que pode alcançar 43% dos servidores e atingir a área política e gente com livre trânsito nas esferas oficiais, o que não significa de forma clara um envolvimento.
De qualquer maneira o ocorrido no fisco londrinense é grave demais para ser metabolizado como fato comum, mas deixa um sinal de extrema porosidade nos serviços públicos e que pedem, por sua natureza, um ato de abrangente profilaxia, graças à ação pertinente do Gaeco à qual deveriam se associar outras instâncias do poder.

Gongo
Há em articulação um plano para desaprovar o jurista Luiz Edson Fachin, obra de comandados de Renan Calheiros e outros interessados em mostrar hegemonia na relação de poderes com o Executivo. Se as provocações forem de caráter jurídico, o designado se sai tranquilo, mas nas de natureza político-ideológica corre riscos por exemplo em questões fundiárias, a favor de teses do MST, quanto aos módulos produtivos da terra, o que arregimenta a bancada do agronegócio para
hostilizá-lo. Aí, onde impera a paixão o raciocínio leva a pior, dança gloriosamente.
Na cátedra se identifica muito com os alunos, tanto que isso o induziu a disputar uma dessas eleições diretas para reitor da Universidade Federal na qual levou a pior. Como naquela essa pode ser uma opção ideológica.

Previdência
Universidades estaduais declaram greve como meio de pressão contra a urgência em relação às mudanças de interesse do governo na ParanaPrevidência. Ela é contra a compulsão oficial que só enxerga o presente e dá pouca importância ao amanhã dos servidores públicos em seu fundo de pensão. A APP quer aumento de 13%, o dobro da inflação acumulada, e que estouraria as contas públicas. A prefeitura da capital já deu reajuste de 7,1%. Se o Estado der, quebra de vez.

Audiência
Nada menos de 11 deputados federais da CPI da Petrobras vão ter hoje um encontro com Sérgio Moro que ontem concedeu liberdade à cunhada de Vaccari.

Folclore
Paradoxos marcam o mundo político: Beto Richa comanda um ajuste fiscal e descobre-se o rombo de auditores fazendários de sua terra, Londrina; Gustavo Fruet se autobadala em anúncios de sua política habitacional e 500 famílias invadem área da Cidade Industrial. A realidade contesta supostas intenções.

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