Alvaro, o relator
Manobra do PMDB coloca o senador Alvaro Dias num pacau de bico: indicado pelo partido como relator do processo da designação do jurista paranaense Luiz Edson Fachin por Dilma Rousseff para ministro do STF, isso depois de aconselhado pelo PSDB a cessar a defesa que vinha fazendo, sistematicamente, daquela decisão presidencial. Como há pressão de setores ligados a Renan Calheiros, presidente da Câmara Alta, para tumultuar e se possível melar a designação parece haver um pouco de maquiavelismo na relatoria de Alvaro, já acatada pelo presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Casa.
O fato é que Alvaro Dias, mesmo quando o tucanato hesitava, dava a presença nos debates públicos e de feroz resistência ao governo, sendo por isso mesmo o maior protagonista de oposição nos noticiários nacionais, e foi com essas credenciais que se tornou um dos mais votados "pais da pátria" do País. Na realidade, há muito o PSDB está em dívida com o político paranaense, desde quando o expulsou por pleitear uma CPI que não era do interesse oficial.
Ao mostrar-se sensível à quase unanimidade regional em torno de Luiz Edson Fachin, ainda que a designação parta de uma adversária, deve tomar cautelas extremas com a relatoria pela qual poderia até, pela frequência dos seguidos pronunciamentos, alegar suspeição antecipando-se a um possível questionamento dessa ordem pelos interessados em vetar o jurista.
Sabe-se, de qualquer forma, que há a intenção de tumultuar a sabatina que pode chegar ao extremo da rejeição, pura e simples.

Condenação
Saiu a sentença de condenação de Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa no caso da Refinaria Abreu e Lima do juiz Sérgio Moro: nove anos e meio para o primeiro e sete anos e quatro meses para o segundo. Com a redução da pena pela delação premiada, somado o tempo de prisão até agora, Youssef terá que cumprir três anos em regime fechado e Costa, que já cumpre prisão domiciliar, terá mais um ano de prisão com tornozeleira eletrônica e mais um ano contado de 1/10/2015 com prisão com recolhimento domiciliar nos finais de semana e durante a noite, seguindo-se o restante da pena em regime aberto. Decretado o confisco de bens adquiridos em R$ 18,6 milhões e fixada indenização em favor da Petrobras em igual valor. Mais seis pessoas foram condenadas no processo.

Caos
Ao mesmo tempo em que a Gazeta noticiava que havia 84 cargos ilegais na Sanepar e Cohapar apurava-se nesta "FOLHA" que a Controladoria Geral do Estado, CGE, é dominada por funcionários também comissionados, o que torna tudo favorável à permeabilidade de anomalias como as detectadas na Receita Estadual em Londrina.

Vistoria
A OAB nacional programou para esses dias uma vistoria no sistema penal do Paraná. Será o primeiro teste na inovação representada pela passagem do Departamento Penitenciário (Depen) da Justiça para a Segurança.

Escalada
Por falar em Segurança, estamos numa escalada de mortes de bandidos pela polícia que o secretário Francischini bota em relevo nas redes sociais. Há um setor tanto da civil quanto da militar que não aceita a linha doutrinária adotada de enfoque na repressão e no atirar para matar. Mas dado o clima de violência generalizada em todo o Paraná boa parte do público dá como racional essa orientação. Ocorre que na medida em que o tom repressivo predominar haverá, certamente, também da parte dos policiais aumento de risco.

Folclore
A multa pela Aneel à Copel por atraso nas obras da usina de Colíder em R$ 720 milhões engole a metade do seu lucro. Pergunta-se: será que obras como a da transposição do São Francisco e outras mesmo no segmento elétrico correm risco de sanções tão pesadas? Só na Petrobras haveria motivos para uma "quebra" se a agência reguladora operasse com os mesmos critérios.

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