LUIZ GERALDO MAZZA
Vigilância coletiva
Nunca, em momento algum de sua história, o Brasil teve suas instituições sob exame como agora: episódios como o da resistência do Tribunal de Contas da União às ''pedaladas'' fiscais da primeira gestão de Dilma Rousseff é algo insólito para dizer o mínimo, pois não consta que a Corte tenha avançado tanto em suas diligências, mesmo no caso Collor que teve, como sempre acontece, as suas respectivas contas aprovadas, apesar do impeachment e da renúncia. Como isso sinaliza uma possível desaprovação das contas, o que abre caminho para o impedimento da presidente, como sugerem os oportunistas do PSDB, percebe-se que o momento reclama vigilância de todos, ainda mais quando irrompe esse desentendimento entre Polícia e Ministério Público até aqui tão sincronizados e que afeta a audiência justamente dos políticos com mandato e sob proteção do foro privilegiado, dentre eles os presidentes da Câmara e do Senado.
Em que pese o fato de esse choque se dar em torno de tecnicalidades, afinal passíveis de ajuste, todo e qualquer atrito, que atinja a linearidade do processo, preocupa por dar margem a protelações e a incidentes que ponham em dúvida a seriedade da Lava Jato e de suas surpreendentes apurações.
Os dois episódios referidos, que não guardam nexo, mexem com o psicossocial das arregimentações de rua, nada confessionais por rejeitarem partidos, e lembram que na queda de Fernando Collor de Mello havia justamente um clima de aguda vigilância e de um pleno engajamento da sociedade e que as infrações e desvios registrados são nanicos perto do que se apura neste momento.
É verdade, também, como a Advocacia Geral da União argumenta, que pedaladas fiscais com o uso de recursos públicos ocorrem desde 2001 e cuja legalidade jamais foi posta em dúvida ou contestada. Tudo o que se fizer neste momento deve servir ao fortalecimento e não à degradação das instituições, razão pela qual indispensável é o predomínio da legalidade e constitucionalidade na fundamentação dos atos corretivos.
Diárias
Como se dá aqui, comumente reclamam os policiais federais do atraso em diárias devidas pela União aos profissionais que atuam na Lava Jato.
Mundo cão
Um leiturista da Copel mordido por um cão de rua fez verdadeira via crucis em vários postos de Saúde à procura do soro imunizante e depois de estafante busca, em mais de quatro, finalmente o encontrou.
Feriadão
Na verdade, começou ontem o feriadão, em que pese a notícia negativa da meteorologia. Os alertas da Polícia Rodoviária Federal foram mantidos para sustentar os feitos da última baixa em acidentes e mortes, que se devem à prevenção, mas também à repressão aos infratores de variada ordem.
Pressão
Felizmente, a polícia judiciária, militar e civil, parou de interrogar jornalistas em busca das fontes, o que é incompatível com a democracia e com um governador que como deputado propôs a lei que indenizava vítimas do terror oficial do regime militar. A polícia vive um mau momento porque essa busca visa justamente identificar supostos inimigos internos, especialmente depois daquela invasão da mansão (tida como oficialmente protegida) de lenocínio e de jogos por um grupo de policiais sindicalistas encapuzados. Soco na mesa, Francischini!
Falava-se nos meios jornalísticos ontem em ameaças que profissionais da RPC estariam sofrendo por parte de envolvidos nos escândalos fiscais de Londrina e que um deles teria obtido proteção especial como se deu anteriormente com o repórter investigativo Mauri Konig.
Folclore
A diferença de quadros e tecnologia entre Urbs e Comec se torna clara nas brigas de agora e no episódio de Araucária, tanto que a prefeitura que afinal rompeu a integração do sistema deseja comandar o processo de recomposição.





