Curitiba estagnou
Há uma crise em Curitiba por ter deixado de ser modelo nacional e mundial (é claro com algum exagero). E agora empaca em duas posturas anti-Lerner, que comandou as modernidades que a tornaram célebre: a história do metrô, que jamais convenceu a área e nunca seriamente discutida, e agora à do fim da integração metropolitana do sistema apontado como exemplar e decalcado no Brasil e no exterior.
Aliás, a desintegração metropolitana já ficou marcada no episódio de gestões passadas do consórcio do lixo, inviabilizado pela compulsão dos grupos que pretendiam dominá-lo na licitação frustrada e agora se consolida na disputa entre Urbs e Comec, o pacto da incompetência, que gerou o quebra-quebra no terminal de Araucária.
Como o governador e o prefeito da capital são os personagens envolvidos e que não se acertam nos termos relativos ao peso de cada um no subsídio ao sistema, percebe-se que vão detonar o ''metrô de superfície'' em curtíssimo prazo, em que pese a evidência de que a municipalidade foi a indutora de todas as regras que orientaram a integração e que agora se perdem no esforço para diminuir os desgastes que sofrem por esse desentendimento. Uma das hipóteses agora é a de que as prefeituras façam o subsídio das respectivas linhas: se Campo Largo e São José dos Pinhais, até pela conurbação e o seu porte financeiro, poderiam eventualmente fazê-lo já não se pode dizer o mesmo de municípios menores e de baixa renda.
O pior é que os autores reais do problema - Beto Richa e Gustavo Fruet - fazem ar de paisagem, já que a cobrança do povo em fúria recai sobre prefeitos como se deu com o de Araucária. Esse mimetismo, que tem o tom da malandragem brasileira, é clássico em nossas artes de escapismo. O incrível é que às vezes são tidos por seus áulicos como estadistas por essas manobras como se um Pedro Malasartes mais do que Macunaíma fosse o herói mítico dessa gente.

Celebrações
O secretário de Segurança, Fernando Francischini, comemorou a queda do número de mortes violentas, mas pelo jeito não consegue reduzir as tensões nas prisões como se viu ontem em Pinhais com o motim de 21 presos na delegacia. No local havia ainda três adolescentes apreendidos. É verdade que isso já não é tão rotineiro como antes, mas não se sabe se a passagem do Depen para a Segurança estaria suficientemente testada.
O fato é que a pasta da Justiça perdeu função, algumas para a primeira dama e outras mais essenciais para os xerifes.

Articulação
O governador Beto Richa decidiu sair da inércia: foi ao vice-presidente Michel Temer relatar as desventuras dos estados membros, abrir-se para a mediação política e ainda por cima participou do encontro do Codesul. Aliás, está aí um espaço que poderia ser melhor explorado por sua expressão econômica e estratégica para montar um consenso em torno do pacto federativo.

Perdeu função
O advogado acrobata - e Tomas Bastos era uma deles e duramente testado na batalha do mensalão - perde seus talentos com a delação premiada porque tal testemunho sempre vem acoplado a provas documentais e ela se torna mais densa com o libelo do Ministério Público.
Evidente que as prisões prolongadas facilitam pelo desgaste a busca por esse meio para baixar pena. O tema foi causa de um debate no entorno da Polícia Federal entre o advogado do lobista Fernando Baiano e um procurador. Advogados preferem que os clientes não façam a delação por ser declaração de culpa, o que reduz espaços básicos da defesa.

Volvo
O que ocorre com a Volvo dá a dimensão da crise: deu férias coletivas por um mês, seguida de outra de 20 dias e agora uma de duas semanas. Inútil tem se mostrado o recurso para ajustar-se ao encolhimento do mercado.

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