LUIZ GERALDO MAZZA
Apenas eufemismo
Fica demonstrado, com o ocorrido anteontem, que a desistência do "tratoraço" foi uma dissimulação da base aliada pela forma como aprovou a urgência na tramitação das mudanças previdenciárias. Pode-se dizer que a mobilização situacionista havida segue, com ritual diferenciado, o macete de transformar a Casa numa Comissão Geral, posto que a tramitação vá a outras comissões. É a chance final de o professorado retomar os espaços nas galerias legislativas e tentar pressionar Beto Richa a um cronograma mais civilizado e capaz de permitir a racionalidade. O sinal já foi dado pelos professores da Universidade Estadual de Londrina que fazem nova mobilização seguida de indicativo de greve.
Portanto, a brutalidade continua, demonstrando que o recuo do tratoraço não passa de um eufemismo e o gorilismo não perde sua essência, a de só entender o jogo bruto, ainda que isso os obrigue à humilhação de andar num carro blindado da polícia para o ato extremo de submissão. Aos que serão atingidos, a massa de servidores ativos e aposentados, só resta a dignidade da resistência, mesmo que seja em vão mas que marque, de forma indelével, que tivemos mais uma rapinagem no fundo de pensão.
Terceirização
A despeito da suposta maturidade das nossas centrais sindicais é surpreendente como perderam o foco da questão da terceirização mostrando-se muito vulneráveis na forma tranquila com que a matéria passou na Câmara Federal. O estrago de ontem com o violento bloqueio de estradas em vários pontos do País tenta recuperar o tempo perdido, já que a matéria foi mais do que estudada em suas consequências para a proclamada precarização do trabalho como fator de produção, beneficiando o capital que está com tudo pelo menos nas aparências. A reação do governo tem sido mais eficaz que o sindicalismo, pois tanto a presidente como seus ministros se opuseram fortemente à inovação.
Como se vê no momento sério do pega capital-trabalho, aquele se mostra mais vigoroso do que este, apesar de nossa tradição populista do getulismo até o lulopetismo atual sugerir que o proletário é prioridade.
O repique
O maior temor do PT não é o que o Vaccari (saudado, ironicamente, em faixas ontem em sua chegada à Polícia Federal, o tempo todo protegido pelos correligionários) possa dizer, mas sim a possível retaliação de André Vargas que foi tratado, ao longo dos seus padecimentos, como um cadáver insepulto. Como são robustas as provas até aqui levantadas, a que se somarão outras mais veementes, ficará em condição semelhante aos que viraram delatores. Aí não se sabe se será o juízo final ou o juízo, afinal.
Hoje de manhã, os ex-deputados federais André Vargas, Luiz Argôlo e Pedro Côrrea serão ouvidos pelos delegados da PF. Pelo jeito a lista de gente nossa vai aumentar no papo com os federais.
Na fila
Quem está na fila da Cohab acaba perdendo a paciência. Deu-se ontem isso na invasão de instalações do INSS na Marechal Deodoro na Capital. E o prefeito Gustavo Fruet, na propaganda, sugere que faz muito na área habitacional. Se for como na do transporte e na ruptura da integração metropolitana se dará mal. Muito mal, como se vê em quase tudo.
Chegamos lá
Havia aqui uma campanha paranista, desencadeada entre outros pelo Francisco da Cunha Pereira, pela presença de paranaenses nos tribunais superiores do Brasil. Emplacamos vários no STJ, mas a cadeira do STF (o primeiro dos nossos foi Ubaldino do Amaral) tem tudo para ser do jurista Luiz Edson Facchin que foi indicado pela presidente Dilma Rousseff em função de uma campanha dos meios jurídicos da terra. É possível que seja duramente sabatinado no Senado, todavia é grande a confiança em seu desempenho.
Folclore
A escolha de Facchin derruba um arquétipo sobre a autofagia da terra. Todos o apoiaram e isso pelo menos nesse caso derruba a anedota de que o homem com a ceifa às mãos nos símbolos do Paraná não é um lavrador, mas alguém disposto a cortar a cabeça do primeiro que deseje aparecer.





