LUIZ GERALDO MAZZA
Aparelhamento estatal
Jamais na história deste país, como diria Lula, se viu ocupação tão forte do aparelho de Estado. E não apenas o mensalão e o petrolão nos dão essa noção, mas investigações como a processada contra o ex-deputado paranaense, André Vargas, figura de proa do PT e "cristianizada" quando entrou em desgraça pelo pecado venial de uma carona em avião do doleiro. Descobre-se no caso específico dele que tinha empresa em sociedade com um irmão que negociava contratos com o Ministério da Saúde e a Caixa Econômica Federal. Sua mediação com o Labogen, mais a viagem camarada com a família para o nordeste, é que deram os motivos para a sua cassação e agora com as diligência da Polícia Federal e do Ministério Público é que se tem ideia do enraizamento das suas atuações.
Boa parte dos malfeitos brasileiros é genuinamente paranaense, todavia para compensar aparecemos no polo oposto do combate policial e judicial e também político já desde o mensalão com o relator da CPI, Omar Serraglio, e o guerreiro de plenário Gustavo Fruet. A Justiça Federal aqui virou um símbolo sendo justa a homenagem da população, feita em seu entorno, à instituição e a quem com tanto brilho e segurança interpreta com o também paranaense Sergio Moro, orgulho de Maringá.
Aquilo que já havia sido enunciado pelo delator Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, de que o tipo de ação se estenderia a todos os campos de atuação estatal, ora evidenciados de uma forma singela na atuação de André Vargas, nos promete lances, cada vez mais surpreendentes, desse feito ainda mais quando se apura a questão escabrosa da última instância administrativa dos recursos fiscais na Receita Federal, capaz de transformar em nanico o propinoduto petrolífero.
Pensão discutida
A despeito de sua deformante característica, típica do patrimonialismo a que estamos condicionados desde Pedro Alvares Cabral, só agora veio da parte do STF, o remédio contra a "aposentadoria" de ex-governadores, inscrita por sinal na Constituição das unidades federativas que a adotaram. A decisão que se refere ao Pará é provisória e sujeita à revisão.
A maior vítima política dessa "inovação" foi José Richa e que perdeu um pleito que iria fatalmente vencer com sua reeleição por havê-la defendido: o PMDB comandou a ação massiva (via Romanelli, hoje líder do filho) contra o privilégio e o desgaste tirou o beneficiário do segundo turno que restou para Requião e José Carlos Martinez.
Posteriormente, na maior cara de pau, Requião pleiteou o privilégio que apontara como um crime nefando e apenas Alvaro Dias, que o usara na campanha hostil, se recusou a recebê-la, o que certamente será um dos pontos de sua possível candidatura a sucessor de Beto Richa. Bem, aliás, na linha moralista que costuma adotar.
Aí outra precariedade nossa como se repete com outras aldeias: a falta de quadros. E de repente até um pega fratricida com Osmar Dias. Merecemos?
De carro
André Vargas e seu irmão Leon, presos em Londrina, vieram de automóvel para a Polícia Federal na Capital. Tudo começou com uma carona amigável no avião e agora se encaminha para o final, depois da cassação, na dureza do processo e nesse desconforto da viagem para o caos.
Quase 'mela'
Advogados das petrorroubalheiras se assanham com qualquer notícia que indica reversão na Lava Jato como o parecer do corregedor Dip, que considera nula a delação de Youssef por ter ludibriado a Justiça já no caso CC-5 Banestado e agora com a versão de que Paulo Roberto Costa teria revisto a denúncia de que o cartel reservava 3% para propina a políticos, fato mal interpretado pela mídia como o Ministério Público ontem esclareceu. A aposta é numa nulidade para melar tudo.
Folclore
Uma viúva de magistrado em Curitiba para não perder a pensão do marido evitou casar-se com seu novo companheiro que nos bares que frequentava era apelidado, carinhosamente, de "juiz substituto".





