LUIZ GERALDO MAZZA
Sassá Mutema de novo
Tivesse um assessoramento jurídico minimamente apto o secretário Mauro Ricardo Costa, da Fazenda, não enviaria expediente ao presidente do Tribunal de Justiça sugerindo cortes de R$ 73 milhões em suas despesas. Na resposta, o desembargador Paulo Roberto Vasconcelos, devolveu o ofício, lembrando que no regime de interdependência de poderes quem fala pelo Executivo é o governador. Embora isso possa ser metabolizado num plano diplomático é visível que Beto Richa nem de longe se disporia a tal proeza pela tradição de cordialidade reafirmada na montagem do desastroso Caixa Único e no acesso, atabalhoado e irresponsável, aos depósitos judiciais para driblar a crise que ocultava, bem como na sua condição atual, alvo de denúncias junto aos seus aliados que irão acabar justamente no Judiciário.
É possível que na sua visão tecnoburocrática até que o secretário tenha razão dadas também as concessões feitas ao Judiciário, Legislativo, Ministério Público e Tribunal de Contas nos percentuais orçamentários. O legislativo tem sido camarada, aceitando tudo pela causa, inclusive o papelão de andar de camburão sem falar nas supostas generosidades do seu ex-presidente, Rossoni, ao devolver apreciáveis recursos ao Executivo.
Se no primeiro pacotaço, a Fazenda tentou cortar anuênios e quinquênios como se isso não constituísse garantia constitucional dos barnabés e ainda armar a jogada dos dois fundos na Paranaprevidência, agora nessa deselegância (e como isso pesa em nossas praxes como pecado mortal) do ofício ao Judiciário supera todos os limites e leva ainda por cima um cartão amarelo nada sutil.
Lançado como um espécie de Sassá Mutema da novela, o salvador da pátria, o secretário Mauro Ricardo Costa já acumulou falhas que certamente obscurecerão eventuais méritos que venha obter em seu trabalho de natureza técnica para o qual é inegavelmente qualificado por sua grade curricular.
Mil olhos
Todos os governos são permeáveis a pessoas, nem sempre eminências pardas, que seriam de acesso fácil à autoridade. Com Beto Richa isso também acontece, mas tal nem sempre justifica que esse suposto prestígio seria verdadeiro como se viu com o cinegrafista Caramori (a foto ao lado do governador) servidor posto à disposição da Casa Civil. Mas no caso do primo distante, o Luis Abi, é mais grave porque serviria de ponte para a Polícia Militar obter recursos em sua falta de material permanente e de consumo. Outro episódio, distanciado, mas que acentua a porosidade do poder público a esses canais foi o telefonema que o Gaeco gravou de um pleito de um delegado de polícia processado ao secretário muito próximo, o Ezequias, para o atendimento de uma demanda. Hoje há mil olhos e mil ouvidos no disparo e pedir contenção aos áulicos seria providência mínima.
Creche
Como se já não bastassem os numerosos casos de obras paradas em centros educacionais e creches, a prefeitura da Capital conseguiu um recorde: unidade do Ganchinho ficou três dias sem água.
Reincidente
Na audiência pública sobre a Paranaprevidência, servidores, especialmente a sua melhor liderança, a dos professores, curtida na reincidência dos governos no boicote à sua cota de contribuição (e pega vários deles seriadamente), fizeram interpelações sobre os aportes futuros a partir de 2030. Não houve tensão e a atmosfera era de equilíbrio, rompida apenas numa vaia quando falava o dirigente do fundo de pensão estadual.
Bloqueio
Sérgio Moro determinou o bloqueio de R$ 163 milhões da Queiroz Galvão. É a Lava Jato buscando por as coisas em pratos limpos.
Folclore
No seminário internacional sobre o automóvel na cidade, Lerner é um dos palestrantes e espera-se, até pela iminência da crise nacional, que ajude a por uma pá de cal no metrô que produziria um desastre de décadas na Capital, ainda que olhado por muitos como a fonte luminosa dos dias atuais .





