LUIZ GERALDO MAZZA
Basismo forte
Ficou demonstrado afinal que a APP-Sindicato no Paraná, núcleo dos mestres, é a coluna mais forte do sindicalismo, maior do que a própria CUT que integra, e a melhor aliança de base do PT e do lulismo na terra. Ela decidiu assumir ontem a vanguarda da luta na rua contra o processo de terceirização desejado enfaticamente pelo patronato e rejeitado pela presidente.
Ninguém colocou historicamente tão mal os governos até hoje como a APP que ensaiou seus primeiros choques históricos com formas ainda brandas de lutas como "operação tartaruga" e "congressos" já nas gestões de Ney Braga e Paulo Pimentel. O "congresso" era algo adequado à ditadura e operava como uma convocação aos professores. Num momento em que o lulopetismo com as revelações das petrorroubalheiras lembra criança constrangida que se borrou nas calças e é dominada por um tremendo sentimento de perplexidade, a APP rompe essa inércia
visível nos movimentos que tentam neutralizar a oposição difusa que se forma nas rebeliões de rua.
E pega um tema bom, ajustado ao ritual da luta de classes, porque enquanto os patrões veem nas terceirizações uma forma de flexibilizar a rigidez de múmia da arqueológica CLT, já os empregados a encaram como redução drástica de poder e, sobretudo, um meio de destruir conquistas históricas hoje ameaçadas pelas circunstâncias do ajuste fiscal que gerará mais desemprego e inflação.
Aliás a atuação da APP jogando o governo na parede no caso tarifaço-pacotaço e colhendo a vitória inegável sobre o tratoraço (a manobra de submeter o legislativo ao condicionamento fascista da comissão geral), além de manter aceso o fogo da resistência, provou que essa atuação é a mais forte do que se tem como lulopetismo no Paraná e que compensa em parte a perda brutal de representação da bancada do partido na Assembleia.
Ontem, inclusive, alguns grupos mais radicais pretendiam usar cartazes pelo impeachment de Beto Richa, o que era descartado pelos mais prudentes, já que isso seria muito pouco para segurar a onda anti-Dilma do próximo domingo e que de certa forma até a estimularia.
Cisão
A sociedade cartorial que dá blindagem aos políticos paranaenses, e que tende a se repetir com Nelson Justus, é hoje dividida em função da posture crítica da RPC na origem ligada por laços familiares ao deputado denunciado. Durante o desenrolar da série "Diários Secretos" isso foi arguido pelos criticados e até com um tom de ameaça. Tal cisão é boa para a democracia, embora não mine o poder de resistência do parenteralismo em todas as instâncias do poder.
Só Londrina?
Obviamente entre as nossas capitanias donatárias essa descentralização de oficinas de reparos da frota oficial é comum em várias regiões tal como se viu em Londrina em benefício do primo remoto (mais remoto do que terremoto, dado o exagero que se concede ao tema). São formas de cartorialismo inevitáveis e sempre ligadas aos comandos políticos regionais. Merece uma investigação.
Há pelo menos duas empresas que locam veículos: a Constran de Osni Pacheco e a de Celso Frare que operam em alta escala. Ambas têm oficinas próprias e um esquema de vendas de veículos depois de oito ou dez anos de uso.
Quem domina um sistema desses, tal qual nos transportes urbanos ou de linhas estaduais e intermunicipais, tem vitaliciedade garantida. Frotas, garagens e centrais de compras são a garantia.
Promessa
No encontro do secretário da Fazenda, Mauro Ricardo, na CCJ da Assembleia ficou demonstrado que até maio haverá acerto com 18 mil credores e mostrou confiança na campanha institucional pela nota fiscal.
Folclore
Câmara Municipal quer proibir máscaras em protestos, mas sabiamente as admitirá no Carnaval que, com elas ou não, já é fraquinho demais. Esses vereadores são capazes de tirar os capuzes da celebração santa do fogaréu.





