LUIZ GERALDO MAZZA
Decisão no palmômetro
Ontem foi a hora das centrais sindicais irem às ruas em várias cidades do País e amanhã será a vez do panelaço que pede o impeachment da presidente. Reproduz-se, como já disse, a ''provocatio ad populum'' de 1964 quando os polos políticos da época apostavam quem punha mais gente na rua, e que foi ganho facilmente pelos beatos da Marcha com Deus e a Família pela Liberdade que operou como sinal para a intervenção militar contra as reformas.
Cada um com o seu pretexto como naqueles dias, o modelo popular nacionalista e reformista de um lado, de outro os que viam no agito a ameaça comunista. Não há nitidez hoje como a do passado entre legalistas e golpistas, que alegavam agir preventivamente em defesa da democracia e do mundo ocidental, haja aí a pitada geopolítica, indispensável, da Guerra Fria.
A degradação atual do governo brasileiro, animada pela corrupção que devasta a Petrobras e a recessão que ameaça a economia, como de qualquer outro de caráter municipal ou estadual, é nutriente de primeira ordem para jogar o Ibope de todos no fundo do poço, além do pré-sal, como se viu por aqui com Beto Richa e Gustavo Fruet, posto que não atingindo o Alexandre Kireeff de Londrina.
Agora, as forças armadas já não exercem o poder moderador até porque ainda constrangidas com os efeitos dos anos de chumbo, ainda que alguns radicais as desejem de retorno a esse papel. Se houver empate, vai para os pênaltis e não se deve desprezar o tapetão, o Judiciário, às voltas com o afano geral e irrestrito da Petrobras na apreciação dos lances da Lava Jato, cujos processos ficarão em parte a cargo de um ministro que foi advogado do PT e de Zé Dirceu, o que acrescenta condimentos especiais às controvérsias, o que não impede um juízo semelhante ao havido no mensalão com maioria de magistrados nomeados por Lula, o que não deveria espantar amantes do Direito.
Páscoa
O comércio se preparou para as vendas de Páscoa e isso fica patente no refinamento das embalagens e também na intervenção de produtores artesanais. A expectativa não é boa diante da recessão e do galope da inflação e ainda mais com o comprometimento das famílias com dívidas, mas esse tipo de evento, mesmo na inércia revela a dinâmica do mercado e aí reina a esperança. Por sinal, a Abrave do Paraná, num mutirão de todas as marcas das montadoras, aposta em bons resultados numa feira que irá promover. Mais vale acender uma vela, como dizia o conselheiro Acácio, do que maldizer a escuridão.
Trote
A Pontifícia Universidade Católica investiga casos de violência em trotes do curso de Engenharia. Nos anos 40, século passado, um estudante de Direito da Federal foi jogado no repuxo da Praça Santos Andrade e acometido de tuberculose galopante veio a morrer. Em função disso, durante décadas houve a suspensão dessa manifestação retomada há décadas passadas. A violência no trote preocupa educadores, além de constituir-se em degradação das pessoas humilhadas e ofendidas nas celebrações. Casos de morte têm sido registrados.
Imitação
Um caso de motorista que viajava a 114 km por hora está em análise, e esse registro é bastante inferior ao do ex-deputado Ribas Carli que matou dois e persiste há seis anos sem julgamento.
Folclore
Aguardava-se em Paranaguá o novo titular da Receita Federal e ele veio de navio. O homem tinha protuberâncias nas mãos e de cara ganhou o apelido de ''Mão de gengibre''. De todas as lendas, a mais repetida é a do cidadão que temendo apelido ficou escondido no hotel da Praça Fernando Amaro de cuja janela, de vez em quando, dava uma olhada na rua. Virou o "Cuco do relógio".





