E os outros?
Estranhava-se, há muito tempo, que as investigações sobre desvios em nossa Assembleia girassem, única e exclusivamente, em torno do Michel Abib, vulgo Bibinho, e não aparecesse qualquer vestígio de comprometimento dos membros das comissões executivas da Casa. Houve breve referência a Nelson Justus e Alexandre Curi, mas só agora é que se tem notícia do enquadramento direto e que atinge o ex-presidente e atual dirigente da CCJ.
Sabe-se que essas apurações se referem aos diários secretos, bem menos forte do que a operação ''Gafanhoto'' que foi barrada porque alguns dos indiciados como Barbosa Neto e Hidekazu Takaiama tinham sido eleitos deputados federais e, com isso, o processo paralisara por causa do privilégio de foro. No caso gafanhoto, mais de 80 parlamentares de várias legislaturas estão enquadrados.
Raramente, há iniciativas do Ministério Público nesse sentido até porque só ações externas (Tribunal de Contas da União, Justiça e Polícia Federal) alcançam gente nossa. Uma cordialidade institucionalizada tudo preside com o peso específico da sociedade cartorial, do parenteralismo. O caso CC-5 do Banestado, no governo Lerner, revelou para o Brasil a figura do Youssef que se tornaria mais célebre com a Lava Jato. Tanto aquele procedimento como o atual decorre da ação da Justiça Federal e do magistrado Sérgio Moro.
Enquanto em Londrina, pela ação do Gaeco, três prefeitos foram cassados e vereadores afastados, aqui nada disso acontece por bloqueios institucionais ao ponto de o vereador João Claudio Derosso, 15 anos presidindo a Câmara Municipal, só ter sido atingido pela denúncia de desvios em publicidade junto com sua ex-esposa que detinha cargo de confiança e cliente como empresária.
Uma ação do Gaeco, que flagrou alto funcionário do Tribunal de Contas recebendo grana de um ganhador da concorrência do edifício anexo, não passou pelo crivo do Judiciário que a anulou, desde o início, pela indevida autorização para as gravações na primeira instância.
Se há essas contingências não se pode também subestimar o corporativismo parlamentar que estabelece formas de silêncio e ajuste em problemas, como os cabeludíssimos ocorridos no Legislativo estadual, e que dão a ideia de poderes extraterrenos a um simples diretor geral como o Bibinho, algo inaceitável e que foge inteiramente à razão. Na menos dura das hipóteses, pelo menos a comissão executiva não escaparia do crime de prevaricação.

Assaltos
Se a estatística de crimes contra a vida segue caindo no geral, mas crescendo em Curitiba, Londrina e Paranaguá, a de assaltos a ônibus e estações-tubo é de nada menos de dez ocorrências por dia na capital. Torna-se também inútil a reação do cidadão que de tão frequente a violência não crê na autoridade e nem faz o Boletim de Ocorrência. O número, portanto, é conservador.

CPI
Da mesma forma que se recusa a fornecer o estudo fazendário de 2013 que mostrava o abalo no Paraná, agora as forças leais ao governo impedirão a CPI para apurar os afanos fiscais em Londrina talvez mais escandalosos que os sexuais a que deram tanto destaque. Na verdade, CPI é spot-light que nada clareia, como a tradição parlamentar demonstra, mas se houvesse credibilidade no governo a simples informação de que tudo seria apurado bastaria.
Desviar recursos fiscais, na quebra que enfrentamos, é como roubar bolacha e pirulito de criancinha, afanar mamadeira de bebê.

Folclore
Chiquinho Deliberador, deputado e ex-prefeito de Ibiporã, vai assumir o Porto de Paranaguá e por causa da conformação de sua vista recebe, de cara, o apelido de ''Olho de Garoupa''. Outra é a do Wilson Rio Apa, escritor, que chega na estação ferroviária com aqueles cabelos longos e barba nazarena e vestindo o "jean sablon" é chamado de Jesus Cristo em férias.

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