LUIZ GERALDO MAZZA
Confronto na rua
A mobilização a pretexto de defesa da Petrobras se iniciou como Lula desejava com as tropas do MST de João Pedro Stédile nas estradas, abrindo praças de pedágio e o auê tradicional. Ela precede a convocação das centrais sindicais de amanhã que tentará neutralizar o panelaço do fim de semana.
Como temos condições psicossociais para fermentação nunca vista no Brasil, é de lembrar-se do vivido em 1964 quando as forças leais a Jango ingenuamente acreditaram que venceriam a batalha das ruas seja com a convocação de greves ou de comícios como o das reformas na Central do Brasil. As passeatas massivas de traço religioso -Marcha com Deus e a Família pela Liberdade - sobrepujaram, de longe, as de traço chapa branca e deram a chave do apoio popular (pouco importa se contando com padre Peyton e outros religiosos internacionais e, em especial, com a CIA e até a frota ianque no Nordeste) para a intervenção militar concebida muitos anos antes nos campos de guerra da Itália.
A situação de agora só tem uma diferença: os dois lados que disputam a rua se nivelam, ao menos aparentemente, em termos de mobilização e beligerância, ainda que seja visível a maior dispersão da turma do panelaço que parece confiar na reprodução, pelas redes sociais, da explosão popular de junho de 2013, a mais espontânea das que até hoje tivemos.
Como background de tudo isso, uma recessão com sinais de desemprego (ontem na Bosch um agito contra setenta demissões e no disparo, essa municipal, a greve do lixo para dia 17) e uma inflação assustadora a aproximar-se dos 8% no acumulado de 12 meses, um cenário que em nada favorece o raciocínio e convoca a paixão e a loucura. O governo, de um modo geral, como se viu aqui nas paredes de professores, sem autoridade moral para agir, mostrando-se próximo da deserção: os fatores de contenção frágeis e facilitando o urro das massas, das organizadas às que simplesmente desejam protestar, O caldo de cultura tende a ficar fora de controle.
PCC
O Bope capturou ontem, em Campo Largo, 11 integrantes do PCC. Aliás, só falta esse agrupamento, organizado, tomar partido no agito programado para essa semana. E daí para um clima de guerra civil apenas um passo. E, no momento, as instituições são fragilizadas como se viu na tomada das estradas pelos caminhoneiros que não arrefeceu nem com a presença da Força Nacional e dos interditos proibitórios da Justiça.
CPI
A oposição parlamentar já tem sete assinaturas para uma CPI dos desvios no fisco e que não podem se limitar aos casos de Londrina, já que é permeável, como se vê, o sistema fiscal a corrupção do gênero. O Gaeco sempre foi forte em Londrina (derrubou três prefeitos e afastou vereadores), mas na capital trava batalha com resistências institucionais da sociedade cartorial e, em especial, da força do parenteralismo como se viu no caso da licitação do Anexo do Tribunal de Contas. Para a CPI funcionar, carece de 18 assinaturas e nos embates recentes ela chegou a 19. Se o governo resistir alegando que vai punir todos os envolvidos, ficará com ônus semelhante ao do pacotaço por sua baixa credibilidade.
Eficiência
O lado eficiente da Lava Jato é notório com o repatriamento de R$ 139 milhões no exterior e que já se constitui em uma raridade nos hábitos nacionais. Está valendo a pena viver esse momento de nossa vida institucional, normalmente medíocre e compassiva, consolidando a ideia da impunidade.
Folclore
A falta de fair play do pessoal da prefeitura da capital com relação à Paraná Pesquisas, acusando-a de ter faturado nas gestões de Beto Richa e Luciano Ducci e insinuando com isso que suas sondagens são suspeitas, é de um primarismo exemplar como se trabalho contratado significasse comprometimento e que quando Fruet os encomendasse estariam salvos pelo selo da honestidade. Se dessem uma dura como essa no cartel dos ônibus, no pessoal do lixo e da informática seria bem mais apropriado.





