Retirada com ameaça
Houve a retirada dos professores em greve, mas para manter a imagem forte e convencer a base se declararam de atalaia: qualquer infração nos acordos e a parede retorna. Isso é, perderam a causa, embora as muitas vitórias obtidas, e se mostram preparados para outra mobilização, a qualquer momento, com o que mantém o governo, derrotado politicamente, sob ameaça.
Empata em soberba com o governo nessa sinalização e o faz porque se o poder estadual simplesmente se recusasse a pagar os meses de fevereiro e agora o de março pelas jornadas não cumpridas, a essa hora as bases já estariam pedindo à direção sindical explicações numa reversão muito comum, mas indesejadas pelos comandos obreiros. Falta, no entanto, moral ao governo para cumprir essa exigência mínima não só pelos erros cometidos, todavia ainda por figurar na condição de inadimplente no pagamento de férias e rescisões dos temporários.
Usou-se muito a questão da ParanaPrevidência para protelar as negociações, mas reside justamente aí uma das mais graves omissões do funcionalismo como força supostamente organizada: jamais houve um interesse em acompanhar a vida do fundo de pensão, cercado de caixa preta, evidente no fato de que os governos até hoje jamais fizeram a passagem de recursos a que estão obrigados e isso vem desde o antigo Instituto de Previdência do Estado (IPE), que ao menos garantia assistência médico-hospitalar de boa qualidade aos barnabés, hoje sabidamente inexistente.
Depois dos vetos do Ministério da Previdência e da Advocacia Geral da União ( AGU), viu-se o governo obrigado a rever os planos na área e ainda ontem eram encaminhadas à Secretaria da Fazenda as emendas técnicas sugeridas. Há, aliás, o entendimento de que o duodécimo cabível ao Estado não seria de R$ 250 milhões, mas de R$ 130 milhões, hipótese avaliada por especialistas o que anima obviamente os executores do ajuste fiscal. Até hoje houve blá-blá-blá técnico e doutrinário sobre o assunto, porém fica visível que o monitoramento é por demais precário e escassas as informações, daí a crise persistente. Aquilo que o povo acompanha é sempre melhor como se vê na Lava Jato e se daria com o fundo de pensão estadual.

Consenso
O consenso de Washington - político, militar, industrial - pelo jeito estava expresso, de uma forma barroca à brasileira, nesse pacto entre governo e certos setores do empresariado, inclusive nas operações internacionais, sob comando do Palácio Alvorada beneficiando o capital nacional. Ia tudo bem até que as frinchas, primeiro do mensalão extremamente modestas, depois do petrolão em dimensões planetárias, revelaram o lado patológico de tudo. Uma estrutura doutrinariamente justificável na perspectiva nacionalista já não tem defesa a não ser entre fundamentalistas desses que dividem as questões entre ricos e pobres ou no cantochão da casa grande oposta à senzala como se eles e o sistema fossem a defesa dos pobres e os opositores os ricos. Maniqueísmo primata. Que até gente de QI alto assimila.

Ajuste
Boa intervenção do Ministério Público que obteve ajuste de conduta junto à Urbs sobre créditos de usuários do transporte coletivo para que se respeite o seu valor originário e não se subordinem a reajustes.

E os pais?
Nessa greve dos professores raramente se ouvia a voz dos pais como a daqueles que têm filhos na terceira série preocupados com o vestibular. Associações de pais e mestres poderiam servir de elemento moderador se mostrassem o lado mais vulnerável das paralisações.

Folclore
Estamos subindo a serra rumo ao congresso de jornalistas em Nova Friburgo no ônibus superlotado e, de repente, a voz lá do fundo: ''O velho mestre já dizia: sentai-vos uns aos outros''. Nada mais nada menos do que o Barão de Itararé que a tudo animava. À época, imaginem, versava sobre física quântica.

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