LUIZ GERALDO MAZZA
Leniência judicial
Uma greve em andamento; outra, a dos motoristas e cobradores, no disparo para segunda-feira. Ambas por uma deficiência do Judiciário, a de não fazer cumprir as suas decisões. A dos professores, à conta da Justiça estadual e a dos ônibus por força das experiências anteriores em que a Justiça trabalhista havia determinado a manutenção da cota mínima de 70% da frota, o que também não se respeitou pela mesma alegação de agora, a falta de autuação.
Felizmente, no caso do transporte, o Sindimoc fez um acerto com o Ministério Público do Trabalho e suspendeu o indicativo de greve na tarde de ontem e no front estadual uma reunião entre governo, professores e desembargadores se dava no Tribunal de Justiça em busca de um consenso. A questão previdenciária está resolvida pela decisão de Beto Richa de suspender a projetada fusão dos fundos, já condenada por autoridades federais.
Não se vive uma democracia sem a dialética de princípios aparentemente opostos, porque na verdade convergentes, entre os polos da autoridade e o da liberdade. Nos tempos em que vivemos de corda esticada, o da liberdade sobrepuja o da autoridade. Devemos em grande parte o poder arregimentador dos professores pela omissão da autoridade, às vezes quase pusilânime, ao menor sinal de irritação sindical. O caso dos caminhoneiros, bloqueando estradas, também na linha da resistência civil, como no evento da invasão legislativa, acentuou o abuso da liberdade por ausência de autoridade.
Mesmo que se olhe tais demandas na perspectiva da luta de classes, há uma deformação populista na forma como a autoridade se verga às contingências e se presta à submissão servil a pressões de massas. Isso deseduca o sindicalismo e o habitua ao clima de chantagens e não o enfrentamento do conflito que, afinal, determina o avanço histórico das reivindicações.
Autoridade demais, como houve no pacotaço e no tratoraço, gera a tirania; ações como as da ocupação do Legislativo induzem à anarquia e à anomia, isso é a anulação das referências institucionais.
Exemplo
Finalmente, um exemplo rígido de justiça: vai a júri popular o autor da acidente que matou uma família inteira. Em que pese a evolução conceitual sobre esse tipo de crime, casos como o de Ribas Carli, seis anos em trâmite na primeira e na instância superior, sem a definição do júri, é negativo, ainda que revelando a capacidade do advogado de defesa no recurso protelatório.
Debate
O ex-secretário de Segurança, também policial federal, Reinaldo de Almeida Cesar, ataca de forma virulenta seu colega e sucessor na área, Fernando Francischini, especialmente, nos episódios do camburão a conduzir deputados e seu enfrentamento desastroso com um manifestante no Centro Cívico.
Houve repique do Francischini que disse que Reinaldo carregava a mala de José Sarney. Na verdade, Reinaldo comandou operação relevantíssima em São Paulo que denunciou juízes acusados de vender sentenças.
Intimação
A APP Sindicato liberou todos os funcionários da sede para evitar a citação judicial, mas isso acabou ocorrendo no próprio Palácio da Justiça onde tiveram encontro com desembargadores e o governo. Assim tem agora seus movimentos limitados com a interdição da greve e a decisão para os próximos passos ficou por conta do comando.
Folclore
Como se vê no caso dos professores, que obtêm apoio massivo da população, observa-se que tudo o que for governo - estadual, municipal ou federal - é alvo da rejeição do público jogado às cordas pela recessão, atolado em dívidas e não tendo qualquer perspectiva de melhora no horizonte. Na Páscoa isso se refletirá na malhação de judas, encarnando o governo. Descarregar é preciso.





