LUIZ GERALDO MAZZA
Justiça em xeque
O Tribunal de Justiça do Paraná decidiu em liminar que a greve dos mestres é abusiva e pede o seu encerramento num momento em que aumentam os ''furos'' ao movimento pela percepção de que transbordou e passa a caracterizar-se como ato de desobediência civil já detectado anteriormente na invasão legislativa. Por mais que se justificasse a rebeldia nos atos confusos e até apalermados do governo, expressos na tirania do pacotaço, todos os limites da tolerância foram amplamente superados na renovação de pleitos que não constavam da pauta original das reivindicações na base de um casuísmo generalizado.
Cabe agora ao Judiciário estar à altura do momento nacionalmente vivido pela instituição, tanto no mensalão quanto agora na Operação Lava Jato, e obrigar o cumprimento de sua decisão mesmo que a rebeldia esteja viva e estuante como naquela assembleia gigantesca no Estádio Durival de Brito e Silva. Se não o fizer, não estará cumprindo seus deveres essenciais pela manutenção da ordem e do Estado de Direito Democrático afrontado por manifestações que são típicas do assembleísmo e do democratismo e que fazem lembrar reflexões de Karl Marx sobre ''o esquerdismo como doença infantil do comunismo''.
Ao governo cabe o papel agora de penitente pelos seus desregramentos e que deram origem e sustentação à greve e reflita melhor sobre o ajuste fiscal nas operações internas, que não podem alimentar a hidra crescente dos custos, fazer o exercício da autocrítica e ir criando na sociedade um clima de confiança na resposta aos sacrifícios vividos por todos. É um ato de humildade e grandeza reconhecer que errou, especialmente na questão previdenciária, e propor uma saída que não puna aqueles que nada contribuíram para o caos atual, a massa espoliada dos servidores públicos que paga direitinho a sua contribuição enquanto, ao longo do tempo, o governo não o faz e isso, convenhamos, desde o primeiro fundo de pensão, o Instituto de Previdência do Estado (IPE) que pelo menos funcionava num item: o da assistência médico-hospitalar - ora inexistente - e que operava rigorosamente como um salário indireto.
A lista
Saiu a lista de políticos da Lava Jato e nela aparecem nomes do Paraná como o da senadora Gleisi Hoffmann, do seu marido Paulo Bernardo e do deputado Nelson Meurer, correspondente percentualmente ao fato de alguns atores principais do processo como Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa e o tesoureiro do PT serem da terrinha. Isso é solicitação para abertura de inquérito que pode liberar os listados como foram dela expurgados os candidatos presidenciais Dilma Rousseff e Aécio Neves. Há como saber, por parte do candidato, a origem do dinheiro de campanha eleitoral ou ela se submete a complicadas liturgias internas de difícil nitidez? É uma hipótese que pode beneficiá-los.
Funerárias
Volta e meia há denúncias do Ministério Público contra empresas funerárias que transgridem o mínimo ético do mercado. Tal se deu com a Luto Curitiba condenada a multa diária de R$ 7 mil se não corrigir procedimentos.
Rombo
No Portal da Transparência o rombo da gestão era de R$ 4,6 bi e na fala de anteontem do secretário da Fazenda caiu para R$ 934 milhões. Isso agradou o governo, mas gerou desconfiança. O Rambo está aí para reduzir o rombo, ainda que seja apenas gráfico ou virtual.
Folclore
Pesquisa regional mostrou que de cada quatro paranaenses apenas um está com Beto Richa e de cada cinco somente um permanece fiel a Dilma Rousseff. Igual estrago, ainda que de proporção menor, deve alcançar o prefeito Gustavo Fruet, ansioso ontem com a audiência que trata do reajuste salarial de motoristas e cobradores. Nessa questão, ele deu um golpe no governador com a ruptura da integração metropolitana, passando-lhe ônus e ficando com o bônus.





