Liberticídio em marcha
Acontecimentos atuais do Paraná e do Brasil, em que é visível a falência do princípio da autoridade, mostram que o risco mais próximo diante de tal processo de desgaste é o de setores da sociedade passarem a defender soluções já conhecidas e insuficientes como intervenção militar. No país, durante longo tempo, as forças armadas exerceram um papel moderador convocadas a agir em quadros de extrema desordem.
As greves de professores e de outras categorias (pessoal do Detran e defensores públicos) mostram que a sociedade perdeu a sua capacidade defensiva porque justamente o governo, encarregado de encarná-la, é ausente e intervém, o que raramente acontece, de forma tardia. Isso torna corpos reivindicatórios como polarizadores de toda energia social e invencíveis, como se vê com o caso dos professores. Toda época de extrema liberdade e radicalismo no Brasil foi seguida do seu oposto como ditadura tal qual se deu em 1964 quando, mais uma vez, o Exército e demais forças militares foram invocados para a revanche e cuja expressão em marchas civis nas avenidas do país se deram com um tom religioso em defesa da família e da liberdade, logicamente apoiadas pela CIA.
Tal se dá também na mobilização dos caminhoneiros, agravada pelo fato de não terem uma identificação formal por serem em maioria autônomos, que fecha as rodovias e provoca desabastecimento sem que as medidas aplicadas como a dos recursos judiciais tragam qualquer resposta satisfatória. A mesma dificuldade que Beto Richa teve com os professores pelo acúmulo de energia (sinalizada também uma relativa perda de controle da situação pela APP impotente para conter os impulsos da massa) se repete, aí num plano mais grave com o bloqueio rodoviário, este sim um assunto de segurança nacional, com os manifestantes fora de qualquer comando desnorteando a polícia rodoviária usando a tática de movimentos de um ponto de bloqueio para outro.
É o desordenamento, a anomia, em marcha, para a qual não se imagina qualquer hipótese de solução pacífica ao menos nas condições atuais.

Frouxidão
Da mesma forma que as escolas se declaram inviabilizadas por falta de condições materiais para o ano letivo tivemos no litoral algo bem mais chocante: o juiz de Matinhos mandou soltar um casal suspeito de homicídio por não ter escolta para conduzi-los. Dá para imaginar que isso se generalizasse em todo o Paraná como aliás se deu em Araucária com a morte de um policial por deficiência justamente de escolta. A Secretaria de Segurança prometeu investigar e cobrar responsabilidades na falta de viatura.

Lerner
Animado com o sucesso de seu livro de crônicas e com o filme do Deiró que narra a sua história, Jaime Lerner está na ofensiva e demoliu, com a arte habitual, a questão do metrô em Curitiba e conseguiu no meio da fúria dizer que nos prometem uma Angelina Jolie e nos dão uma Graça Foster. Outra coisa: criticou suavemente o prefeito Fruet por ter rompido a integração metropolitana que foi induzida por ele e seus sucessores na municipalidade.
Fez inclusive uma analogia entre o metrô de Londres que movimenta 3 milhões e o sistema de Curitiba que opera com dois milhões e seiscentos mil a um custo muito mais baixo. Aliás nessa crise falar em metrô é uma irresponsabilidade com os cofres da União, Estados e municípios exauridos e as empreiteiras em sua maioria enquadradas e sob suspeição na onda da Lava Jato. Lerner está defendendo, como Airton (Lolô) Cornelsen, o aproveitamento da linha férrea da região metropolitana.

Folclore
Saiu a folha de fevereiro do funcionalismo público normalmente mas ninguém ousa dizer que a de março estará garantida. Outra coisa: a data-base de maio dificilmente permitirá aumento, conforme a previsão dominante.

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