De olho no ônibus
Além da auditagem do Tribunal de Contas sobre a tarifa de ônibus, ontem retomada e logo interrompida, temos agora a intervenção também do Ministério Público na análise dos contratos do sistema e o respectivo impacto da desintegração promovida unilateralmente pelo prefeito Gustavo Fruet em desfavor do governo estadual. Está recriado o clima investigatório sobre essa caixa preta de meio século que é o sistema de Curitiba, muita vezes apontado como o melhor do país, mas também ironicamente o mais carregado de mistério.
Várias cidades têm um modelo na estruturação societária semelhante ao da capital, todos com característica de oligopólio como em Londrina, segundo polo urbano do Paraná. Daí a importância dessas intervenções como a do Tribunal de Contas que, se estiver respaldada em fundamentos econométricos e técnicos, forçará a devassa efetiva em torno da qual já se percebeu que o prefeito Gustavo Fruet não é interessado dando continuidade à visão de seus antecessores que lhe concederam trato pactual, do qual a licitação de Beto Richa é exemplo marcante e decisivo.
Há, também, interesse em saber se o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, estaria disposto a investigar se há ou não cartelização no caso de Curitiba, demanda colocada por um órgão de defesa do usuário. O fato é que depois da CPI municipal, do recuo tarifário em função do grito das ruas em junho de 2013, não dá para aceitar que as coisas fiquem como estão. Ou seriam as suas amarras insensíveis a todas as indagações por força contratual diante da qual todos se rendem? Todo contrato é rescindível e um dos pontos sugeridos pela auditoria do TC é justamente esse: a sua anulação, sabendo-se que há uma salvaguarda de tudo na qualidade dos advogados que defendem as empresas, todos mestres em Direito Público, e que sempre ameaçam o poder concedente com ações indenizatórias que abalariam a municipalidade para todo o sempre.
Que tal o jogo da verdade para testar todas as impossibilidades?

Contenção
Praticamente encerrada a batalha do professorado, com a pauta inteiramente atendida, prepara-se o governo para outro front, o das universidades estaduais e sua viabilização já que seus servidores se encontram em greve. No encontro de ontem com a imprensa, Beto Richa anunciou uma verba de R$ 26 milhões para seu funcionamento. Como não dá para conter os gastos, como se percebe, que se contenha, pelo menos, o agito.

Bloqueio
Anunciado ontem, no andamento da Lava Jato, o bloqueio de R$ 106 milhões de Nestor Cerveró.

Ver de novo
A Rede Globo está mostrando com a audiência da reprise ‘’O rei do gado’’ (superior à da novela das sete) que o já visto rende. Tanto aí como no caso da inserções da Escolinha do Chico Anísio. Isso já era fonte de renda na TV a cabo e que agora se transfere ao mercado aberto.

Demorou
Há muito era esperado que o Ministério Público enquadrasse alguém da Comissão Executiva da Assembleia pelos diários secretos e aconteceu com Nelson Justus, ex-presidente. O envolvimento também de secretários (ainda no caso da Operação Gafanhoto bem anterior e que alcança moralistas de plantão) é inevitável na melhor das hipóteses pelo menos no crime de prevaricação. Não há como aceitar que o Bibinho, como diretor-geral, tivesse poderes tão extensos e que a direção legislativa, pasma, a tudo ignorasse. Tratam-nos como tolos.
E quanto aos moralistas de ocasião, dá para lembrar do Demóstenes Torres, que botava banca, e pegaram com a mão no jarro.

Folclore
O folclórico Esmaga, Alvino Guimarães Cruz, poderia fazer conferências até no MBA sobre empreendedorismo, em sua especialidade, a da mordida. Ao chegar na Avenida Luis Xavier fazia um rápido diagnóstico com um olhar e antegozava o seu sucesso: queria ver como estava o seu pomar, no qual dentro em pouco faria a sua gloriosa colheita, de cliente para cliente, como quem tira frutas sazonadas dos galhos.

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