LUIZ GERALDO MAZZA
A folha sai ou não sai?
Como se sabe que a greve do professorado (já com apoio parcial de outras categorias dentre elas o Detran) continua, é de perguntar-se até porque amanhã é a data do pagamento se sai ou não sai a folha de fevereiro. Um setor diz que sai tranquilamente, outro sugere que há operações em andamento para completar os R$ 1,4 bilhão, como se tem feito habitualmente desde 2013 na hora de fechar as três folhas de novembro, dezembro e 13º.
Aí, é inevitável a comparação entre o Beto filho e o Richa pai que criou o 13º e, mais do que isso, estabeleceu a isonomia entre aposentados e os da ativa. Se infringisse um desses patamares, ficaria mal na fotografia. Ora, José Richa deu esses avanços a funcionários ainda na vigência do regime militar em que eram comuns as exortações para a baixa de custos e a prensa nos salários.
Como o governo não questionou a legalidade da greve ou ao menos a perspectiva de ser abusiva, não estaria interessado, até porque acuado, em criar essa sanção em cima de grevistas, posto que não tenha havido qualquer negociação sobre os dias parados em função de o diálogo até aqui haver malogrado. Por sinal que o acúmulo de energia, obtido pelo movimento num momento em que caía cada vez mais a posição governista, leva a postura dos grevistas para o campo da soberba, tal a certeza de sua manutenção e até crescimento, o que também anima a pressão por novas vantagens.
Quem negocia na defensiva, quando é devedor, por maiores e justas que sejam as suas razões, já inicia o diálogo perdendo e retrancado. A hipótese do não pagamento integral da folha (até porque há instituições que não receberam janeiro como se sugere ter ocorrido com o Tecpar) pode recriar um fim de semana tempestuoso, especialmente, se não tivermos informações claras.
Flagra
Um dono de posto de combustível foi preso e enquadrado em crime contra a economia popular por haver aumentado a gasolina a R$ 4,40. Um outro tentou mexer no álcool e que saltou, aos poucos, de R$ 2,17 a R$ 2,38. Só que essa variação foi fotografada e inserida nas redes sociais num ''cineminha''.
Entrevista
Dessa vez Beto Richa não negou entrevista à Globo regional, mas bastou fazê-lo para que a oposição deitasse e rolasse em cima de suas declarações como o fez o deputado Nereu Moura para delírio da galeria ocupada por grevistas no Legislativo estadual. Uma oposição minimalista ganhou corpo surfando na onda dos professores como se viu também na ida de senadores e deputados federais oposicionistas ao Ministério da Previdência para questionar as intenções do governo estadual com o fundo de pensão de seus servidores. Havia anos que não tínhamos oposição tão articulada. Para a democracia é ótimo, não dava mais para suportar o rolo compressor, hoje debilitado sem o tratoraço.
Metrô
Não falam mais no metrô e não seria isso que tiraria Fruet da fossa, isso é do mau momento vivido. Seria um desperdício de dinheiro lançado num itinerário absurdo, já bem servido pelas linhas atuais, com as desvantagens decorrentes das escavações e do tumulto na vida urbana, isso sem falar no receio de aqui como em outros pontos do país gerasse suspeitas. É difícil ajustar isso à quadra recessiva. Se Beto Richa se saiu pior na desintegração das linhas, é verdade que a imagem do prefeito não é lá muito boa pela circunstância de o município ter induzido o sistema metropolitano e agora usá-lo como arma de retaliação para deixar na pior o governador.
Folclore
Alceu Chichorro, o chargista clássico da cidade, está na Rua XV e de repente passa uma mulher bonita. Ele não resiste e assobia, revelando admiração. Ela não gosta do galanteio e reage:
-Seu cachorro!
-Cachorro não, minha senhora. Chichorro, a seu dispor.





