LUIZ GERALDO MAZZA
Eleição e rotina
O governo estadual, no auge do desespero, buscou um marqueteiro para gerir a crise. E ele atende pelo nome bíblico de Paulo de Tarso quando, no mínimo, deveria lembrar alguém como Saulo que se converteu ao cristianismo, pela visão do Cristo, na estrada de Damasco. O profissional bem qualificado foi quem operou na campanha eleitoral que é um cenário de fantasia, onde vale tudo, e não de uma realidade opressora como a do momento, capaz de levar uma liderança como a de Beto Richa à fuga de uma entrevista solicitada pelo Jornal Nacional.
Se essa fuga foi aconselhada, o monitor se enganou, pois deveria encará-la e assumir o discurso da austeridade aplicável a todos os governos, do central aos estaduais e municipais. O fato é o seguinte: o governo precisa mostrar fé no ajuste fiscal e na certeza de que a conjuntura é provisória, ainda que dure, pois por mais que a engrenagem estatal se revele fragilizada, a capacidade de recuperação da economia paranaense, tantas vezes testada, das geadas no ciclo cafeeiro às estiagens e acidentes naturais, é proverbial, da qual não se pode olhar como surpreendente, mas, sim, o esperado.
Segue o governo estadual a mesma postura do federal, que reconvocou o Santana para enfrentar o atoleiro da crise somada à maior corrupção da história e que nos pode trazer constrangimentos ainda maiores como o de eventual condenação por tribunais norte-americanos em defesa de acionistas da ex-gigante brasileira, hoje minada também pela espetacular baixa do petróleo, e que pode colocar em risco todas as fantasias ufanistas em torno do pré-sal.
O governador já perdeu o tempo em várias ocasiões: na hora em que se atribuiu o aumento e no instante em que deixou de aconselhar deputados e juízes a entrarem num estágio sabático, o que animou o Tribunal de Contas, em plena crise, a atribuir-se e aos seus conselheiros, auditores e procuradores o auxílio-moradia. Pela crise de identidade (a fuga à TV Globo é relevante) ao não assumir a postura da austeridade perde condições para intervir no processo e, lá na frente, quando o Paraná estiver recuperado aparecer como autor da proeza em condições de assombrar todo país e até ser lembrado para presidente. Isso é marketing de resultado.
Ferro
Ministério Público Federal, diante de novas provas, tocou mais processos contra o lobista Fernando Baiano e o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
Bloqueio
Por mais de uma hora a área da Refinaria de Araucária ficou bloqueada ontem pelos caminhoneiros. A Advocacia Geral da União estudava formas de juridicamente assegurar o desbloqueio das rodovias. Casos de desabastecimento são visíveis e o pior é que esse é um movimento sem rosto, sem legitimidade de parte como uma associação, um sindicato ou federação. É alternativo em estado puro, o que lhe dá um traço revolucionário, uma guerrilha tropeira, um Fidel Castro com bomba de chimarrão à mão.
Juiz
Um jornal carioca flagrou um juiz de Direito dirigindo o Porsch apreendido de Eike Batista. Só falta alegar que estava no direito de ir e vir.
Autonomia
Há reitores argumentando que deveriam as universidades ter autonomia também orçamentária. Ora, a mais importante do país, a USP, a adotou e quebrou justamente por causa da gastança desenfreada. O Paraná é frouxo: teve três vezes na mão os ministérios da Educação e da Saúde: a União não paga as despesas de pessoal no Hospital de Clínicas e não federalizamos uma só das nossas universidades. Que vergonha: Tarso Dutra federalizou, numa tacada, todas do Rio Grande do Sul.
Folclore
Sujeito oculto da oração: ele não está no Palácio.





