Blindagem vítrea
O vidro é sinal de transparência e sua blindagem garantia de que se fará, em breve, um bloqueio entre o público e os parlamentares na Assembleia. Ainda que necessária essa intervenção ela em nada favorece ao clima de tensão entre os professores e os deputados, como se viu ainda ontem no Centro Cívico.
O presidente Traiano tratou do tema e a simples divulgação do fato enrijeceu a postura dos professores que veem nisso uma criminalização da invasão do plenário, o que de fato é, e bastaria apurar para tanto delitos como o de cárcere privado (acuaram numa sala por várias horas servidores) e isso sem falar nos apreciáveis danos materiais para demonstrá-lo.
Assim, a programação de ontem e dos próximos dias colocaria em debate matérias menos quentes como atos burocráticos para melhorar a arrecadação (prêmios pela exigência da nota fiscal), cadastro de inadimplentes, Refis e dureza no combate à sonegação sob qualquer forma o que pelo menos não mexe diretamente com o corpo funcional. Mas a intenção de bloquear abusos (até agora não se tem a ideia do prejuízo material decorrente da ocupação e que não é pequeno) já mexeu com os manifestantes que decidiram ocupar ''seus'' espaços e manter o clima de vigília e resistência.
Só que agora a matéria a ser votada, por esses dias, nada tem de explosiva e pode até ser um tédio para quem se ajusta no agito. Além do mais, para aumentar a chatice (na perspectiva das galerias), o ritual parlamentar será observado em todos os seus refinamentos barrocos de comissão em comissão e com o fecho da redação final, uma eternidade para quem tem pressa e antes resolvia essa parada com a violência estigmatizada do tratoraço.
Mas entre uma sessão e outra, um diálogo, ora com os professores ora com outras categorias, como na questão do debate sobre a previdência, darão o alento democrático, aquele de ouvir as bases, para que tudo, embora fatiado, não vire uma gigantesca pizza.

O alternativo
Para que uma manifestação como essa dos caminhoneiros fechando estradas seja tida como legal, indispensável no mínimo que as entidades que a promovem sejam formalmente admitidas o que é meio complicado apurar. Mas a partir do momento em que juízes trabalhistas admitem como ''parte interessada'' até mesmo uma dissidência sindical, como se deu no Rio em demanda salarial, aí se caminha (e de forma célere) para a anomia. Embora justas, as reclamações quanto ao peso da alta do óleo diesel, isso tudo se choca com a crise nacional e o andamento das medidas de ajuste fiscal, daí também as dificuldades de convergência.
Mediadores classistas - as federações de transportadores, mais a Confederação Nacional - devem entrar em ação nos próximos dias com reunião na Bahia no sentido de buscar consenso nas reivindicações.

Veto
Uma decisão judicial provocou impacto no setor imobiliário: o veto formal a hipermercados e shoppings na área do Jockey Clube do Paraná.

Violência
Mais ataques a caixas eletrônicos nos últimos dias mostram a inocuidade da proposta de combatê-los com lançamento de fumaça, algo parecido com a outra, a de botar tintas nas notas. Só há um jeito: acionar, se é que existem e com a qualificação necessária, os serviços de inteligência que semana passada prenderam em Brasília uma quadrilha. O resto é ver a polícia chegando tarde e apenas anotando o estrago.

Folclore
O cronograma das medidas do pacote recessivo na Assembleia alinha primeiro as de natureza leve, mas na sequência do joguinho de peteca virá o tacape, agora um tanto quanto glamourizado com a interdição do tratoraço. Mestres insistem em não acreditar que a folha de fevereiro esteja sob risco mesmo não dando aulas em função da greve e podendo, por isso mesmo, ser duramente descontados.

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